As eleições de 2026 em Sergipe caminham para um cenário completamente diferente daquele visto em 2022. E a principal mudança está justamente nos dois dos personagens centrais daquela disputa: Valmir de Francisquinho (Republicanos) e o governador Fábio Mitidieri (PSD).
Em 2022, diante da imensa rejeição do governo de Belivaldo Chagas, Valmir surgiu como uma alternativa oposicionista. Dentro desse cenário, na época, ele conseguiu construir uma narrativa de vitimização em cima de sua prisão que vendeu para a população como sendo política, o que impulsionou sua campanha. Mas o tempo passou, e uma parcela dos próprios eleitores que formaram essa base começou a demonstrar frustração, sobretudo diante dos inúmeros problemas jurídicos sob acusação de corrupção e da sucessivas contradições do ex-prefeito. A mais recente delas foi justamente a aliança com o ex-governador a quem, no passado, chegou a responsabilizar publicamente por sua prisão. E essa quebra de discurso contra o “sistema” pode até mesmo prejudicar Emília Corrêa (Republicanos) em 2028, o que explica a resistência de aliados da prefeita à amarração de ambos.
Foram erros sucessivos que desgastaram justamente a narrativa que o fortaleceu em 2022. O resultado disso é percebido na dificuldade de reconstruir o mesmo capital político de quatro anos atrás. Mesmo após uma liminar, considerada frágil por muitos juristas, e que o colocou na disputa novamente, a pré-candidatura não conseguiu recuperar o mesmo apelo popular. E a situação ficou ainda mais delicada diante do avanço de novos personagens no campo conservador, especialmente Ricardo Marques (PL), que passou a ocupar parte do espaço bolsonarista antes a principal base de Valmir.
Além disso, episódios e declarações polêmicas também ampliaram rejeições e fizeram crescer um claro sentimento de desgaste. Na situação mais recente, o MPF pediu a manutenção da decisão que o condenou no caso do matadouro em Itabaiana. Ele também viu voltar ao noticiário nacional seu passado obscuro, como sua prisão em 2018, após a grande repercussão negativa de sua fala considerada misógina, em que rejeitou mulheres na política.
Enquanto isso, Fábio percorreu justamente o caminho oposto. Se em 2022 ainda era tratado como um nome em construção, hoje chega a 2026 respaldado por entregas administrativas, fortalecimento político e uma ampla base de apoio no interior do estado. Ele transformou especialmente a gestão em seu grande trunfo para chegar como favorito.
O único problema mais sensível enfrentado por Fábio até aqui tem sido o uso político da questão da Iguá pela oposição, um problema histórico, que resiste há décadas em Sergipe e que agora estaria no início de um processo de solução. Nos bastidores, governistas fazem comparação direta com o que aconteceu no passado com a Energisa, que também enfrentou forte resistência política e popular no início, antes da reestruturação do serviço no estado.
Diante disso, o cenário de 2026 mostra um jogo completamente diferente daquele de 2022. O fenômeno que impulsionava Valmir murchou completamente diante do desgaste acumulado ao longo do tempo, enquanto Fábio transformou gestão, articulação e entregas em pilares fundamentais que hoje sustentam sua posição de favorito na disputa pelo Governo de Sergipe.


