Meses se passaram desde a consolidação da reestruturação da direita em Sergipe, mas nos bastidores a guerra segue exatamente a mesma: a disputa pelo controle do campo conservador no estado entre os grupos liderados por Emília Corrêa (Republicanos) e Edivan Amorim (Republicanos), de um lado, e por Ricardo Marques (PL) e Rodrigo Valadares (PL), do outro.
Ricardo e Rodrigo já se consolidaram como os principais representantes da nova direita bolsonarista em Sergipe, principalmente por serem chancelados diretamente pelo clã Bolsonaro, que, mesmo fora do poder no âmbito nacional, segue sendo a principal referência política da direita no país.
Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e outros nomes do núcleo bolsonarista já fizeram declarações públicas de apoio ao novo grupo político do PL em Sergipe, tratando Rodrigo e Ricardo como seus principais representantes no estado.
O crescimento dessa nova composição acabou mudando completamente o equilíbrio da oposição. Antes praticamente concentrado entre Valmir de Francisquinho (Republicanos), Emília e os irmãos Amorim, que centralizavam as decisões e excluíam Ricardo e Rodrigo, o campo conservador passou a ter novas lideranças disputando espaço. E é justamente isso que tem provocado incômodo nos bastidores.
Emília e Valmir seguem tentando evitar, a qualquer custo, perder ainda mais apoio do eleitorado bolsonarista. Para isso, a estratégia tem sido vender a ideia de que também representam o conservadorismo ligado a Jair Bolsonaro, mesmo sem o controle partidário do PL no estado e sem assumir o ônus do bolsonarismo, defendendo pautas como a liberdade do ex-presidente, a anistia e impeachment de ministros.
Recentemente, inclusive, Emília chegou a alfinetar Rodrigo ao questionar publicamente se precisaria da autorização dele para apoiar Flávio Bolsonaro na disputa pela presidência.
O problema para o agrupamento de Emília e Valmir é que, diferente de outros momentos, Rodrigo e Ricardo deixaram de ser figuras periféricas dentro da direita sergipana. Hoje ambos possuem forte discurso, estrutura partidária consolidada e, principalmente, conexão direta com o núcleo bolsonarista nacional, algo que pesa fortemente dentro de um eleitorado conservador cada vez mais ideológico e menos disposto a aceitar lideranças apenas por conveniência eleitoral.
Pelo ritmo dos movimentos recentes, a tendência é que essa guerra fique ainda mais intensa à medida que 2026 se aproxima. E a depender do resultado, pode consolidar quem de fato lidera a direita no estado.


