Uma publicação na coluna assinada pelo jornalista Narcizo Machado trouxe uma denúncia grave ao trazer detalhes de um relatório parcial produzido pelo DEOTAP envolvendo o ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (Republicanos), empresários ligados à Prefeitura e ao matadouro municipal da cidade. O material teria sido obtido após a quebra de sigilo de um dos processos e revela uma série de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda formal dos investigados.
De acordo com a publicação, a investigação descreve um suposto esquema envolvendo depósitos em contas de terceiros, pagamentos em espécie, aquisição de imóveis, veículos de luxo e circulação milionária de dinheiro. No centro das investigações aparece o servidor comissionado Jamerson da Trindade Mota, que, segundo o relatório citado pela coluna, teria movimentado aproximadamente R$ 2 milhões entre créditos e débitos, apesar de possuir renda considerada modesta. E um dos pontos que mais chamou atenção dos investigadores, segundo o texto, é que empresários que realizaram depósitos para Jamerson afirmaram sequer conhecê-lo pessoalmente, enquanto outros alegaram não lembrar a motivação das transferências.
A coluna também afirma que o relatório conecta diretamente as investigações ao funcionamento do matadouro municipal de Itabaiana. Segundo o DEOTAP, existiria uma diferença milionária entre os valores arrecadados nas operações do matadouro e o montante efetivamente recolhido aos cofres públicos. Empresas ligadas ao recolhimento de resíduos animais, construtoras e prestadores de serviço da Prefeitura, como Paviter, JRJ Construções e Campo do Gado, aparecem citados no material.
Os investigadores sustentam a hipótese de utilização de “laranjas” para ocultação patrimonial e circulação de dinheiro, além de apontarem operações com grandes quantias em espécie, incluindo pagamentos de R$ 100 mil, R$ 200 mil e R$ 450 mil realizados em dinheiro vivo.
Outro trecho destacado pela publicação envolve pessoas próximas ao núcleo político de Valmir. Entre os casos citados está a compra de um imóvel rural atribuído à esposa do ex-prefeito, Thaylane Monique, além de movimentações relacionadas a um veículo Toyota SW4 atualmente utilizado por o itabaianense. “Um aliado político de Valmir afirmou em depoimento que utilizou a conta de Jamerson para fracionar um saque de R$ 200 mil após operação ligada à venda do veículo ao ex-prefeito”, diz um trecho.
Os citados negam irregularidades. Mas o caso segue sem um desfecho definitivo na Justiça e continua alimentando questionamentos, desgastes e novas pressões sobre o grupo de Valmir, sobretudo em meio ao cenário pré-eleitoral de 2026, em que o ex-prefeito mais uma vez tenta impor a narrativa de perseguição e vitimismo, que já não cola mais como foi em 2022.


