Desde a visita de Lula (PT) a Sergipe na última semana, quando anunciou investimentos históricos para o estado, ficou ainda mais evidente que a polarização nacional entre lulistas e bolsonaristas deixou de ser apenas um reflexo distante da política de Brasília e passou a fazer parte, de forma definitiva, do cenário sergipano.
O movimento ficou claro pela forma como os dois grupos passaram a se posicionar nas redes sociais e nos bastidores. Enquanto aliados do presidente enfatizaram que a passagem de Lula rendeu anúncios bilionários para os setores de petróleo, gás, fertilizantes e saúde, setores ligados ao bolsonarismo aproveitaram o momento para impulsionar uma narrativa de que os eventos do petista no estado teriam “flopado” em mobilização popular.
Do lado da direita, a expectativa agora gira em torno da possível visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) a Sergipe. A agenda é vista por aliados como importante para consolidar de vez um palanque bolsonarista puro-sangue no estado, composto pelo vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques, como nome ao Governo, além dos deputados Rodrigo Valadares e Coronel Rocha para as duas vagas ao Senado. A avaliação dentro do grupo é que a presença de Flávio pode nacionalizar ainda mais o discurso da direita sergipana e conectar definitivamente Sergipe ao projeto bolsonarista para 2026.
Do outro lado, Lula praticamente já consolidou o próprio palanque em Sergipe. O presidente saiu da visita ao estado ainda mais alinhado ao governador Fábio Mitidieri (PSD), que disputará a reeleição, e ao senador Rogério Carvalho (PT), um dos principais defensores do governo petista no Senado.

