A proposta apresentada pelo deputado estadual Paulo Júnior (PV) para ampliar de 10% para 30% as cotas destinadas a negros, indígenas e quilombolas em concursos públicos estaduais já tem provocado debates na Assembleia Legislativa. Ao comentar o tema, o deputado estadual Luizão Dona Trampi (PL) afirmou à Realce que tem ressalvas ao critério racial e defendeu que políticas públicas priorizem a condição social dos candidatos.
Ele afirmou que não enxerga diferença de capacidade entre pessoas de diferentes raças. “Eu não separo as pessoas pela cor da pele, eu separo as pessoas por caráter. Pra mim, branco e negro têm a mesma capacidade”, declarou. O parlamentar também disse que pretende analisar o projeto antes da votação, mas adiantou seu entendimento sobre o tema.
Na avaliação do deputado, o debate deveria estar mais voltado para a realidade econômica dos candidatos. “Eu acho que o caminho deveria ser o seguinte: vamos abrir para a pessoa mais humilde. Essa pessoa mais humilde, independente da cor da pele, vai ter uma chancezinha a mais por ter passado por muita dificuldade na hora do aprendizado”, afirmou. Segundo ele, “existe família branca que é pobre e família negra da mesma forma”, razão pela qual considera que o fator social deveria ter mais peso nas discussões.
Luizão também afirmou enxergar discriminação em políticas baseadas exclusivamente na raça. “A partir do momento que eu digo a você que uma pessoa negra não tem a mesma capacidade de uma pessoa branca, eu estou sendo racista. No meu entendimento, eu estou sendo racista”, declarou.
Apesar das críticas, o parlamentar ressaltou que ainda irá analisar o texto apresentado por Paulo Júnior antes de definir seu posicionamento definitivo na votação da matéria.

