Durante muito tempo, lideranças como Emília Corrêa (Republicanos), Valmir de Francisquinho (Republicanos) e os irmãos Amorim conseguiram surfar na mesma onda do bolsonarismo sem precisar disputar a propriedade desse eleitorado. Mas isso mudou. Com Rodrigo Valadares (PL) tendo a chancela da família Bolsonaro para liderar o projeto bolsonarista em Sergipe, a direita sergipana entrou numa nova fase desde o ano passado: a da disputa direta pelo comando desse eleitor.
E, olhando friamente para o cenário, quem parece ter mais a perder não é Rodrigo, muito menos os demais nomes do novo palanque da direita no estado, Ricardo Marques e Coronel Rocha. Afinal, eles já possuem o apoio oficial do bolsonarismo nacional e têm transformado isso em suas respectivas principais bandeiras para 2026.
A pressão maior recai justamente sobre aqueles que construíram parte de sua trajetória política ao lado do eleitor conservador, mas que hoje estão fora do PL e do projeto liderado pelos Bolsonaro, inclusive sendo questionados frequentemente se, de fato, um dia foram bolsonaristas e se ainda permanecem leais ao ex-presidente.
No caso de Valmir, os efeitos do afastamento de grande parte do eleitorado bolsonarista já vêm sendo sentidos desde o conturbado segundo turno de 2022, quando declarou apoio ao PT. Desde então, suas sucessivas alianças com lideranças de esquerda continuam alimentando a desconfiança de uma parcela do eleitor conservador que, durante anos, formou a principal espinha dorsal de seu projeto político.
Esse também pode ser o maior desafio de Emília. Eleita em 2024 com o apoio de Rodrigo, do ex-presidente Jair Bolsonaro e do eleitorado bolsonarista, a prefeita agora enfrenta acusações de traição e de quebra compromissos firmados naquele pleito, narrativa que vem sendo explorada por Valadares. E dependendo da forma como essa disputa evoluir, os reflexos podem chegar até 2028. Na briga, o vereador Lúcio Flávio (PL) optou por ficar ao lado da gestora, e já tem reivindicado seu espaço entre os bolsonaristas, diante dos embates com o grupo de Rodrigo.
Já Ricardo Marques aparece como um dos nomes com maior potencial de crescimento nesse cenário. Caso o novo palanque bolsonarista consiga se consolidar nas eleições de 2026, ele poderá emergir, ao lado de Rodrigo, como uma das principais referências da direita sergipana.
Quanto aos Amorim, uma nova derrota nessa disputa pelo comando do eleitor conservador poderá representar mais um capítulo de perda de influência dentro do campo político que durante anos lideraram. A resposta definitiva virá das urnas.


