O principal fato político da semana em Sergipe não foi uma pesquisa, uma aliança ou uma movimentação eleitoral. A grande repercussão ficou por conta da investigação que apura um suposto esquema de corrupção na Secretaria Municipal da Educação de Aracaju, que colocou a gestão da prefeita Emília Corrêa (Republicanos) diante de mais um grande escândalo na Prefeitura da capital.
A apreensão de aproximadamente R$ 240 mil com um ex-servidor da pasta, que teria sido indicado pelos Amorim, somada às linhas de investigação que buscam esclarecer se parte dos recursos teria sido desviada por meio de contratos e até utilizada para eventual financiamento irregular de campanhas eleitorais, aumentou significativamente o desgaste sobre a gestão. Nesta sexta, autoridades solicitaram cópias dos contratos relacionados à aquisição de fardamentos e kits escolares, documento que ajuda a esclarecer o foco inicial da investigação e os caminhos que vêm sendo percorridos pela Polícia Civil. Mas idependentemente do desfecho, o caso rapidamente repercutiu e passou a dominar o debate político sergipano ao longo da semana.
E ele atinge justamente o principal discurso político construído por Emília ao longo de sua trajetória, o de “furar a bolha” do que chama de “sistemão”. Em política, muitas vezes a narrativa pesa tanto quanto os fatos, e a oposição já percebeu que esse será um dos principais flancos de desgaste da prefeita nos próximos meses. A forma como a gestão conduzirá essa crise poderá definir não apenas os próximos capítulos da investigação, mas também os reflexos políticos que ela deixará para 2026, e também para os projetos futuros da gestora por poder.
Em declaração à Rio FM, Emília se posicionou pela primeira vez. Ela afirmou que soube do caso pela imprensa, disse confiar nas instituições e defendeu rapidez na apuração. Também ressaltou que medidas administrativas já foram adotadas e afirmou que segue acompanhando o caso, sem descartar novas providências.
O que diz a defesa
A defesa de César Dias, que foi exonerado por Emília após o escândalo, afirmou que irá apresentar à Polícia Civil e à Justiça documentos para comprovar a origem lícita dos cerca de R$ 240 mil apreendidos durante a operação. Em nota, o advogado disse confiar na condução técnica e imparcial das investigações, defendeu o respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência e informou que, após a comprovação da licitude dos valores, a documentação também será divulgada publicamente.
O que disse Fábio
Questionado pela imprensa sobre a investigação, o governador Fábio Mitidieri (PSD) evitou politizar o caso e afirmou que a Polícia Civil possui autonomia para conduzir as investigações. Ele também considerou correta a decisão da prefeita de afastar o servidor e disse que aguardará a conclusão do inquérito antes de fazer qualquer julgamento sobre o episódio.
Repercussão
O caso ganhou grande repercussão e dominou debates na Câmara Municipal de Aracaju e na Assembleia Legislativa, onde parlamentares como Linda Brasil defenderam uma apuração rigorosa. Na capital, os vereadores Iran Barbosa (PSOL), Sônia Meire (PSOL), Fábio Meireles (PDT) e Elber Batalha (PSB) também cobraram esclarecimentos, enquanto a ex-candidata à Prefeitura e pré-candidata a estadual, Candisse Carvalho (PT), intensificou os questionamentos sobre a investigação, inclusive em relação ao celular apreendido pela Polícia Civil, que poderá auxiliar no avanço das apurações.
Licença
O vereador Levi Oliveira (PP) se licenciou do mandato na Câmara Municipal de Aracaju por interesse particular, sem remuneração, pelo período de 121 dias. Com isso, o primeiro suplente da legenda, Avilé Dantas, tomou posse nesta semana e passa a integrar temporariamente o Legislativo da capital.
Carlos Bolsonaro senador por Sergipe?
Ganhou grande repercussão nesta semana uma declaração do deputado federal Rodrigo Valadares (PL), que afirmou que abriria mão de disputar uma vaga ao Senado por Sergipe caso Carlos Bolsonaro decidisse entrar na corrida pelo estado. Segundo ele, a sugestão foi feita em tom de brincadeira durante uma conversa com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas também serviu para reforçar sua lealdade ao clã.
Moana como exemplo
Rodrigo também fez uma declaração que chamou atenção nesta semana ao usar sua esposa e vereadora de Aracaju, Moana Valadares, como exemplo do crescimento da direita no Nordeste. O deputado destacou a votação expressiva da parlamentar, que foi a mulher mais votada para a Câmara Municipal da capital, e afirmou que o desempenho dela demonstra o fortalecimento do campo conservador na região.
Venceria no primeiro turno
Outra informação que repercutiu nesta semana foi a pesquisa do Instituto CTAS (SE-00601/2026), mostrando que, se as eleições fossem hoje, Fábio Mitidieri seria reeleito ainda no primeiro turno. No cenário de votos válidos, critério utilizado pela Justiça Eleitoral, o governador aparece com 54,7% das intenções de voto, percentual suficiente para liquidar a disputa na primeira etapa, mantendo ampla vantagem sobre os demais pré-candidatos.
Legado de Valmir
Em meio aos sucessivos ataques dos Ribeiros ao Festival da Mandioca, que acabaram impactando a realização do evento, a ex-primeira-dama de Lagarto e pré-candidata a deputada federal Andresa Nascimento reagiu em defesa da festa e fez um recado direto aos adversários. Ela afirmou que o festival foi idealizado pelo saudoso Valmir Monteiro, pertence ao povo lagartense e declarou que nenhuma disputa política será capaz de apagar o legado deixado pelo ex-prefeito: “O legado de Valmir jamais será apagado”.
Briga familiar
Chamou atenção nesta semana o posicionamento adotado por algumas lideranças sergipanas que se dizem bolsonaristas diante da disputa interna envolvendo o clã Bolsonaro. Enquanto Rodrigo e Moana Valadares evitaram entrar no embate público, mas mantiveram a defesa do projeto de Flávio Bolsonaro, pré-candidato do ex-presidente Jair Bolsonaro à Presidência, a prefeita Emília, que ainda não declarou apoio ao senador, e o vereador Lúcio Flávio, que recentemente brigou com lideranças do PL em Sergipe, manifestaram apoio a Michelle Bolsonaro.
Prestígio
As movimentações desta semana também reforçaram o prestígio do senador Rogério Carvalho (PT) nos bastidores de Brasília. Ele foi um dos nomes cogitados para voltar à liderança do governo Lula no Senado, posição que foi assumida por Teresa Leitão, e segue sendo tratado como uma das principais referências da base governista no Congresso, cenário que evidencia o peso político conquistado por seu mandato e sua influência nas articulações do Palácio do Planalto.

