No início do ano, a Realce publicou uma análise sobre as estratégias que poderiam ser adotadas pelos principais pré-candidatos ao Governo de Sergipe na disputa de 2026. Em relação a Valmir de Francisquinho (Republicanos), apontava que o discurso da perseguição política e da vitimização, utilizado por ele em 2022, poderia voltar a aparecer durante a pré-campanha, mesmo sendo uma roupa que já não lhe serve mais. Agora, meses depois, a previsão se confirmou. Em entrevista concedida nesta semana, o ex-prefeito voltou a recorrer à mesma narrativa ao comentar as investigações sobre a Secretaria Municipal da Educação de Aracaju, apesar de o caso decorrer de apurações iniciadas antes do atual período eleitoral.
Os primeiros alertas sobre possíveis irregularidades na Educação da capital surgiram ainda em 2025. O vereador Elber Batalha (PSB), por exemplo, já vinha denunciando contratos considerados suspeitos e cobrando providências dos órgãos de controle muito antes da operação policial. Ou seja, não se trata de um fato criado às vésperas da eleição, mas de uma investigação que se desenvolve há meses e que segue seu curso dentro das instituições competentes.
“Se Valmir não fosse candidato, Emília não tinha nada de negócio de dinheiro apreendido. Ninguém teve nada disso. Eu sou a favor de qualquer investigação e de transparência do dinheiro público. Agora todo mundo está vendo. Todo mundo está vendo tudo”, disse na Itabaiana FM.
Embora tenha afirmado que respeita os órgãos de investigação, o conteúdo de sua declaração caminha em sentido contrário. Ao insinuar perseguição política, acaba colocando sob suspeita o trabalho da Polícia Civil, do Ministério Público e das demais instituições envolvidas na apuração, antes mesmo da conclusão das investigações.
É um discurso que tenta deslocar o foco do mérito das denúncias para uma tese de conspiração, justamente quando a sociedade espera respostas sobre um dos episódios mais graves da gestão de Emília Corrêa até aqui.
O debate ocorre enquanto os órgãos competentes buscam esclarecer a origem dos recursos apreendidos, a eventual existência de um esquema de corrupção e a possível destinação do dinheiro, inclusive a hipótese de financiamento irregular de campanhas, caso venha a ser comprovada.


