Ganhou grande repercussão nesta semana uma publicação da Realce com a fala da vereadora de Aracaju e presidente estadual do PL, Moana Valadares, ao afirmar que a camisa da Seleção Brasileira seria “de Bolsonaro”. E a declaração, feita em meio ao clima de Copa do Mundo, foi suficiente para recolocar no centro do debate um processo que vem se consolidando no país: a transformação de um símbolo historicamente ligado ao futebol e à identidade nacional em bandeira de disputa política, afirmação ideológica e demarcação de campo partidário.
Há alguns anos, setores do bolsonarismo vêm investindo na apropriação da camisa amarela como um dos principais símbolos visuais do campo conservador, especialmente em atos, manifestações e campanhas eleitorais. Não é à toa que, em praticamente qualquer mobilização bolsonarista, a amarelinha aparece como marca predominante, usada para reforçar o pertencimento a esse campo ideológico.
E em ano de Copa, que coincide naturalmente com o ano das eleições presidenciais, esse movimento ganha ainda mais força porque o uniforme volta naturalmente ao centro da cultura popular, das ruas e das redes sociais, abrindo espaço para que lideranças e militantes tentem vincular a paixão pelo futebol à identidade política que desejam projetar. Esses movimentos são extremamente explorados pelos marketings e partidos de lideranças conservadoras.
Foi exatamente isso que se viu novamente nos últimos dias. Após a vitória do Brasil sobre o Japão, Flávio Bolsonaro, e outros bolsonaristas, a exemplo do pré-candidato ao Senado por Sergipe, Rodrigo Valadares, de Moana e do vereador Lúcio Flávio (PL), aproveitaram o gol de Martinelli, que veste a camisa 22 da Seleção, para fazer uma associação direta com o número do partido. Ao mesmo tempo, o erro de Danilo, camisa 13, também foi usado por bolsonaristas nas redes para alimentar a rivalidade com o PT.
O debate, aliás, não se restringe ao bolsonarismo. No ano passado, bastou surgir a especulação sobre uma possível camisa vermelha para a Seleção Brasileira para que a discussão ganhasse força novamente, sob o argumento inverso: o de que o uniforme poderia ser “associado à esquerda”. A reação foi imediata e mostrou como o tema já está dominado pela polarização.

