O vereador Camilo Daniel (PT) e o deputado federal João Daniel (PT) colocaram nesta segunda-feira, 6, mais lenha no debate sobre o transporte público da Grande Aracaju ao defenderem que a tarifa zero é viável e ao apontarem o que classificam como uma “farra dos subsídios” no atual modelo do sistema metropolitano. Durante evento realizado na capital, os parlamentares lançaram um estudo inédito e um pacote de medidas voltadas à reestruturação do transporte coletivo, com foco na criação de condições para implantação da tarifa zero.
A pesquisa apresentada pelos petistas traça um diagnóstico sobre o funcionamento do sistema que atende Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros. Segundo o levantamento, a tarifa paga hoje pelo usuário, de R$ 4,50, está muito abaixo do custo técnico real de cada viagem, estimado em R$ 7,00, diferença que vem sendo coberta por repasses públicos cada vez maiores. Só nos cinco primeiros meses de 2026, de acordo com os dados divulgados, a Prefeitura de Aracaju já destinou mais de R$ 19 milhões em subsídios às empresas de ônibus.
O estudo também aponta que, além dos repasses mensais, o poder público já financiou cerca de R$ 300 milhões em frota, entre ônibus elétricos e veículos convencionais, que seguem pertencendo às concessionárias privadas. Foi a partir desse modelo que Camilo afirmou que a Prefeitura compra os ônibus, banca parte da passagem todos os meses e, ainda assim, deixa os ativos nas mãos das empresas. Na leitura dos autores do levantamento, trata-se de um sistema que socializa o custo e privatiza o patrimônio, sem transparência suficiente sobre a aplicação dos recursos nem mecanismos efetivos de controle social.
Além da crítica ao modelo atual, Camilo e João Daniel anunciaram um conjunto de propostas para tentar redesenhar o sistema. Na Câmara de Aracaju, Camilo pretende protocolar projetos para reformular a política de subsídios, criar uma empresa pública para gerir o transporte coletivo, instituir um fundo metropolitano e ampliar a participação popular na fiscalização. Já João Daniel levará à Câmara dos Deputados duas propostas voltadas à criação de fontes permanentes de financiamento, incluindo o uso de parte da economia gerada com a revisão de renúncias fiscais e da arrecadação com multas de trânsito.


