Se há um personagem da política sergipana que viu o cenário mudar de forma mais brusca desde o último ano, esse nome é Ricardo Marques (PL). O vice-prefeito de Aracaju vinha atravessando um momento de nítida desvantagem dentro do grupo de Emília Corrêa (Republicanos), com pouco espaço político, sem protagonismo na gestão e cada vez mais pressionado por um ambiente em que as decisões se concentravam em outros núcleos.
Foi justamente nesse contexto que a movimentação liderada por Rodrigo Valadares (PL), também escanteado pelo grupo, junto ao bolsonarismo nacional abriu uma saída para o vice-prefeito. Ao ser alçado à condição de pré-candidato ao Governo dentro de um novo palanque da direita, Ricardo deixou de depender do pouco espaço que lhe era concedido no agrupamento de origem e passou a integrar um projeto em construção, com identidade ideológica, discurso alinhado ao bolsonarismo e perspectiva de crescimento.
E a visita de Carlos Bolsonaro a Sergipe nesta semana reforçou esse novo desenho. A presença do filho do ex-presidente serviu para sinalizar, mais uma vez, que o clã Bolsonaro chancela o palanque no estado, hoje desenhado com Ricardo na disputa pelo Governo, Rodrigo Valadares para o Senado e Coronel Rocha como outro nome do campo conservador na corrida senatorial.
Esse movimento muda o peso político de Ricardo porque o retira da condição de vice ofuscado dentro de uma gestão e o coloca como peça central de um projeto maior, com capacidade de influenciar diretamente o futuro da direita sergipana.
É por isso que, nos bastidores, Ricardo já começa a ser visto como uma possível carta coringa da eleição de 2026. Se a chapa conseguir crescer ainda mais e converter o engajamento bolsonarista em musculatura eleitoral, o vice-prefeito pode não apenas crescer na corrida pelo Governo, mas também sair da eleição como um dos nomes centrais da reorganização da direita em Sergipe. O tamanho desse salto ainda dependerá do desempenho nas urnas e da consolidação da chapa, sobretudo com a definição do nome para vice. Mas o fato político, neste momento, é que Ricardo deixou de ser um personagem secundário dentro do grupo de Emília para passar a ocupar um lugar que, até pouco tempo atrás, parecia improvável: o de aposta estratégica de um novo polo da direita no estado.

