As recentes declarações da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), de que as cobranças sobre contratos e questionamentos envolvendo secretários deveriam ser direcionadas apenas aos próprios auxiliares e de que estaria sendo alvo de críticas por ser mulher reacenderam um debate que Sergipe já acompanhou em outros momentos. Para analistas, a estratégia lembra o discurso de vitimização tão adotado por Valmir de Francisquinho (Republicanos) em meio a sucessivos desgastes e questionamentos envolvendo sua hombridade ao longo dos últimos anos.
Ela afirmou recentemente que “essa pergunta não é para a prefeita” e que os secretários devem responder pelos próprios atos, buscando afastar de si a responsabilidade política sobre supostos escândalos de corrupção envolvendo integrantes da administração, mesmo sendo ela a gestora.
No entanto, a própria estrutura do Poder Executivo estabelece que os secretários são auxiliares diretos do chefe do Executivo, nomeados e exonerados livremente pela prefeita, que responde politicamente pela condução da gestão e pelas escolhas feitas para compor sua equipe.
Vale lembrar que em 2022, uma narrativa semelhante chegou a produzir efeitos para Valmir, que se apresentava incessantemente como alvo de perseguições. Mas com o passar do tempo, novos episódios e escândalos acabaram fazendo essa imagem e sua máscara de “bom samaritano” cairem por terra, ampliando sua rejeição junto ao eleitorado sergipano, perdendo drasticamente sua confiança. Hoje, esse cenário se reflete tanto nos elevados índices de rejeição registrados em pesquisas de opinião quanto nas dificuldades enfrentadas pelo ex-prefeito de Itabaiana em mais uma tentativa de chegar ao Governo do Estado. Caminho que, se continuar sendo seguido por Emília, também por impactar seus projetos de poder.


