Sergipe tem testemunhado uma amarração entre Valmir de Francisquinho (Republicanos) e Belivaldo Chagas (Republicanos), suposto algoz de sua prisão, como antes pregava o agora ex-prefeito, para as eleições de 2026. E esse movimento, consolidado ontem, 20, com a confirmação de Priscila Felizola (Republicanos), filha do ex-governador, como sua vice, enterra de vez o já frágil discurso do itabaianense de quebra do sistema de 2022.
Valmir foi preso em 2018 durante a Operação Abate Final, e chegou a usar o discurso de “prisão política”, justamente quando Belivaldo era governador, o que lhe serviu como um “trampolim político” no estado. E em 2022, também o acusou de atuar por sua inelegibilidade. Na época, o itabaianense era o principal adversário de seu grupo nas urnas, um candidato que buscava se vender como símbolo de mudança, em oposição ao que classificava como “sistemão”, mas que pouco tempo depois se revelou exatamente aquilo que dizia combater, conforme analistas.
Ele partia para o ataque sem qualquer freio contra o grupo de Belivaldo. Chegou, inclusive, a acusar diretamente o ex-governador de interferir em sua situação jurídica, quando estava inelegível, uma acusação grave, que acabou recebendo resposta à altura, com Chagas o retrucando e acusando-o de prevaricação.
Agora, o cenário, como já destacado aqui em outras ocasiões, é completamente diferente de 2022. E, na política, mudanças são naturais, sobretudo quando interesses se reorganizam ou quando são por pura conveniência. Mas o que chama atenção no caso de Belivaldo e Priscila é a contradição do itabaianense.
E o que fica agora são questionamentos inevitáveis sobre a veracidade dos discursos do ex-prefeito. Afinal, ele usou essa narrativa para enganar a todos, da classe política à população, passando pela própria imprensa, agindo por pura conveniência para chegar ao poder?


