A disputa pelas duas vagas de Sergipe no Senado entrou em uma nova fase após a realização das convenções partidárias e dos mais recentes movimentos dos principais candidatos. Embora o cenário ainda permaneça aberto para uma delas, as articulações das últimas semanas ajudaram a esclarecer estratégias, fortalecer alguns projetos e aumentar as dúvidas em torno de outros, tornando a corrida ainda mais dinâmica às vésperas do início oficial da campanha.
O movimento mais recente veio do deputado federal Rodrigo Valadares (PL), que, durante a convenção realizada ao lado do candidato Coronel Rocha, voltou a deixar claro que sua candidatura ao Senado é uma prioridade do PL Nacional e do campo bolsonarista, que trabalha para ampliar sua representação na Casa Alta. Nos bastidores, também chegaram a ganhar força especulações sobre uma possível reaproximação com o grupo dos Amorim, hipótese que poderia provocar uma reformulação no cenário que temos hoje para o pleito. Entretanto, essas conversas perderam força após a decisão da direção nacional do Republicanos de rejeitar a indicação do vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro e optar pela neutralidade na disputa nacional, esfriando a possibilidade de uma nova aproximação entre os grupos.
Do lado da esquerda, o senador Rogério Carvalho (PT) inicia oficialmente nesta quarta-feira sua caminhada rumo à reeleição durante a grande convenção conjunta com o governador Fábio Mitidieri. O evento simboliza a consolidação da aliança entre PT e PSD em Sergipe e reforça o discurso do chamado “time de Lula” no estado. Nos bastidores, Rogério é tratado por diversos analistas como favorito e um dos nomes mais competitivos da disputa, sustentado pelo peso do mandato, pela estrutura das alianças que possui, pela capilaridade construída ao longo dos últimos anos e pelo apoio do presidente Lula.
No Republicanos, Eduardo Amorim atravessa um momento de ajustes. Após a saída de Adailton Souza da suplência, o ex-senador busca um novo nome para compor sua chapa. Ao mesmo tempo, persistem especulações de que o delegado André David possa deixar a disputa ao Senado para eventualmente encabeçar uma chapa majoritária, caso seja necessária uma substituição de Valmir de Francisquinho. O próprio nome de Adailton também aparece entre os cogitados para esse cenário, o que mantém o grupo em grandes incertezas até que a situação jurídica da candidatura ao Governo seja definitivamente esclarecida.
Edvaldo Nogueira (PDT) realizou recentemente sua convenção, definiu seus suplentes e oficializou sua candidatura ao Senado. Apesar da organização do evento, a convenção não produziu uma demonstração de força política comparável à observada em outras chapas que disputam as duas vagas.
Alessandro Vieira (MDB) segue em seus embates com o STF por conta de sua atuação na CPI do Crime Organizado. Inclusive, o senador foi acusado de utilizar a comissão como vitrine eleitoral para tentar recuperar espaço junto ao eleitorado de direita.
Com as convenções praticamente encerradas, a tendência é que a disputa entre esses candidatos e os demais se intensifique nas próximas semanas. As definições jurídicas envolvendo o campo de oposição, possíveis rearranjos partidários e o peso das campanhas de rua deverão influenciar diretamente uma eleição que permanece aberta para a segunda vaga e sujeita a novos movimentos até o dia da votação.


