A disputa pelo Palácio dos Despachos neste ano terá seis chapas. No entanto, apenas três delas têm concentrado, de fato, os debates e as atenções em torno da corrida pelo Governo de Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD), Valmir de Francisquinho (Republicanos) e Ricardo Marques (PL). É claro que uma eleição pode mudar de rumo rapidamente, principalmente quando a campanha chega às ruas, mas a fotografia deste momento já permite enxergar com mais clareza como cada um chega para a disputa, e quais problemas e trunfos carregará nos próximos meses.
Hoje, o cenário é mais confortável para Fábio. O governador chega à campanha liderando a ampla maioria das pesquisas recentes e, talvez mais importante que isso, com uma gestão para apresentar ao eleitor. Depois de mais de três anos no comando do Estado, obras, investimentos, programas e resultados alcançados pelo governo tendem a funcionar como seu principal cabo eleitoral. É justamente aí que está uma das vantagens de Fábio: enquanto seus adversários precisarão convencer o sergipano sobre aquilo que pretendem fazer, o governador terá a oportunidade de pedir mais quatro anos mostrando aquilo que já fez. A grande convenção que oficializou sua candidatura, reunindo praticamente todas as principais forças de sua base, também serviu como demonstração do tamanho da estrutura política que terá à disposição.
Valmir, por outro lado, longe de ser o fenômeno que foi em 2022, chega à eleição carregando um problema que vai muito além das urnas. Sua candidatura ainda convive com uma forte insegurança jurídica, situação que ficou ainda mais delicada após recentes decisões no Superior Tribunal de Justiça e parecer do Ministério Público Federal relacionados ao processo do Matadouro de Itabaiana. Politicamente, essa indefinição pode custar caro. Quanto mais tempo a dúvida sobre sua situação permanecer no centro do debate, maior será a dificuldade de Valmir para transformar sua força eleitoral em uma candidatura capaz de avançar sobre Fábio. E, em uma eleição na qual o governador já larga em ampla vantagem, qualquer desgaste pode ampliar essa distância.
É justamente nesse espaço que Ricardo Marques tenta se apresentar como a carta coringa da eleição. O vice-prefeito de Aracaju ainda aparece distante dos dois primeiros colocados nas pesquisas, mas busca se consolidar entre os indecisos e carrega um trunfo que não pode passar despercebido: é o candidato ao Governo diretamente impulsionado pelo bolsonarismo em Sergipe.
Por enquanto, portanto, a eleição começa a ganhar uma forma bastante definida: Fábio larga na dianteira e com a gestão como vitrine; Valmir permanece pressionado pela insegurança jurídica; e Ricardo corre por fora tentando crescer com a força do bolsonarismo. A campanha ainda pode mexer bastante nesse cenário, mas é a partir desses três personagens que a disputa pelo Governo começa, de fato, a ser desenhada.
Vale lembrar que, além dos três, também disputam o Governo do Estado: Emanuel Cacho (PSDB), Helton Monteiro (PSOL) e Taty Cristina (DC).


