A procuradora da República Gisele Bleggi procurou a sede da Polícia Federal em Sergipe para protocolar uma representação criminal e buscar a identificação e responsabilização de perfis que, segundo ela, vêm promovendo uma série de ataques e ameaças nas redes sociais. Entre as mensagens relatadas pela integrante do Ministério Público Federal estão frases como “nós vamos queimar você” e manifestações afirmando que ela “não deveria existir”.
Acompanhada de um advogado, Gisele afirmou que os ataques mais recentes surgiram após a divulgação de um vídeo relacionado à sua participação em um evento realizado no dia 30 de julho, em Aracaju. Segundo a procuradora, porém, esse tipo de episódio não é novo e ocorre desde março, principalmente quando ela participa de palestras, seminários ou se manifesta de maneira mais incisiva em temas relacionados à fiscalização e ao licenciamento ambiental. “Toda vez que eu dou palestras, seminários ou manifesto mais incisivamente, os ataques vêm de uma maneira muito ofensiva”, relatou.
Gisele acredita que a movimentação possa ser articulada e ter como objetivo intimidá-la em razão de sua atuação profissional. “Deixa um recado muito claro: se você incomodar, toda vez que você fizer isso, nós vamos incomodar você dessa maneira”, afirmou. A procuradora, no entanto, garantiu que não pretende recuar e chegou a admitir a possibilidade de buscar reforço de outros integrantes do Ministério Público Federal. “Se engana quem acha que eu vou recuar ou que eu vou parar. […] Eu vou continuar atuando. Não sei se vai ser sozinha, talvez eu vá pedir apoio, uma força-tarefa, talvez venham colegas de fora e nós vamos atuar cada vez mais com mais rigor e com mais afinco”, declarou.
De acordo com o advogado que acompanha a procuradora, as mensagens e os perfis envolvidos estão sendo catalogados para subsidiar as investigações. A intenção é buscar responsabilização tanto na esfera criminal quanto na cível. Ele afirmou ainda que, apesar de parte das manifestações partir de perfis aparentemente falsos, a expectativa é de que a Polícia Federal consiga identificar os responsáveis. “Se eles pensam que vão ficar escondidos e no anonimato […] a Polícia Federal vai identificar e vai apurar um por um”, afirmou.


