A gestão da prefeita Emília Corrêa (Republicanos), que tanto prometeu “furar a bolha do sistemão”, parece estar cada vez mais distante do discurso que a levou à Prefeitura de Aracaju. E agora tem uma nova dor de cabeça para resolver na saúde. Isso porque a própria Secretaria Municipal da Saúde, segundo informações exclusivas obtidas pela Realce, já avalia romper o contrato com o Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS), contratado para gerir a Rede de Atenção Primária da capital.
Quando a Prefeitura contratou o IDEAS, em setembro de 2025, a entidade já havia sido alvo, quatro meses antes, de uma operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU). A Operação Templo Vendido investigava suspeitas de irregularidades em um contrato de R$ 198 milhões firmado com o Governo de Santa Catarina para a gestão de um hospital em Criciúma.
Entre as suspeitas investigadas estavam subcontratações direcionadas, superfaturamento de insumos e repasse de vantagens indevidas. A investigação não impedia legalmente que o instituto fosse contratado, mas o histórico já era conhecido quando a gestão Emília decidiu entregar ao IDEAS a gestão da Atenção Primária de Aracaju.
Agora, meses depois, a Prefeitura pode ter que voltar atrás. O IDEAS perdeu a regularidade fiscal necessária para manter o recebimento dos recursos públicos e a possibilidade de rompimento do contrato já chegou à Procuradoria-Geral do Município.
O padrão de desgaste do IDEAS em Aracaju repete o mesmo registrado no Sul do país. Em maio deste ano, o Ministério Público de Santa Catarina expediu recomendação ao instituto cobrando soluções imediatas para atrasos salariais de profissionais de saúde, desfalques nas escalas de plantão e desabastecimento de insumos básicos em Criciúma, culminando no anúncio de que a entidade deixaria a gestão hospitalar até dezembro.
Em Aracaju, a instabilidade operacional também deixou rastros. Registros oficiais mostram que, em 25 de junho, o IDEAS publicou edital de recrutamento de pessoal para a atenção básica da capital. Poucas semanas depois, em 23 de julho, uma nova seleção destinada à mesma rede figurou no sistema da entidade com a chancela de “edital cancelado”, uma oscilação administrativa sintonizada com a incerteza jurídica instaurada no município.

