Edvaldo Nogueira (PDT), ex-prefeito por quatro mandatos, construiu em Aracaju a base de sua trajetória política e tem justamente na capital sua principal aposta para 2026. Apesar de estar sendo beneficiado com os desgates da gestão de Emília Corrêa (Republicanos), o cenário, já não é o mesmo de outros momentos: ele dá claros sinais de encolhimento em seu reduto eleitoral e, ao mesmo tempo, ainda encontra dificuldades para ampliar sua presença no interior. Esse contraste faz dele o primeiro personagem do Raio-X, nova série especial da Realce que analisa os trunfos, fragilidades e desafios dos candidatos à Casa Alta no estado.
Foram anos comandando o maior colégio eleitoral de Sergipe, acumulando conhecimento e construindo uma relação direta com uma parcela expressiva dos aracajuanos. Mas seria um erro analisar a eleição de 2026 considerando que Edvaldo mantém intacta a força que já teve na cidade. A derrota de Luiz Roberto (PDT), candidato apoiado por ele na sucessão municipal de 2024, foi um dos primeiros sinais de que esse domínio já não é o mesmo. Fator que é potencializado diante do bom nível do nome apoiado.
Ainda assim, redução de força não significa perda de competitividade. Mesmo em um cenário menos confortável do que no passado, Edvaldo continua sendo um nome muito forte em Aracaju. O conhecimento acumulado após quatro mandatos e a ligação de sua imagem com a administração da capital garantem a ele um ponto de partida importante para uma eleição em todo o estado.
O problema é que, enquanto sua vantagem na capital já não parece ter o mesmo tamanho de antes, Edvaldo ainda precisa compensar uma deficiência histórica no interior. O ex-prefeito nunca construiu fora de Aracaju uma base proporcional ao espaço que conquistou na capital. Enquanto alguns de seus principais adversários contam com prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e demais lideranças espalhadas por Sergipe, o pedetista tenta abrir caminhos em municípios onde sua presença sempre foi menor.
Esse talvez seja o ponto mais delicado de sua candidatura. Uma disputa pelo Senado não permite depender excessivamente de um único reduto eleitoral, principalmente quando esse próprio reduto já apresenta sinais de desgaste. Aracaju até pode entregar a Edvaldo uma votação expressiva, mas dificilmente será suficiente sozinha para colocá-lo entre os dois eleitos. Para chegar competitivo à reta final, precisará fazer algo que nunca foi obrigado a fazer em suas eleições municipais: construir densidade eleitoral em praticamente todo Sergipe.
Nos últimos meses, Edvaldo percebeu essa necessidade e passou a intensificar agendas fora da capital, buscando aproximação com prefeitos e lideranças municipais. É um movimento necessário, mas que acontece quando muitos adversários já possuem relações consolidadas há anos. Ou seja, além de tentar preservar o espaço que ainda possui em Aracaju, ele corre contra o tempo para reduzir uma diferença histórica no interior.
Existe ainda um segundo desafio. Edvaldo sempre carregou um perfil mais administrativo e técnico do que propriamente político. Essa característica ajudou a construir sua imagem como gestor, mas uma eleição majoritária estadual exige articulação, alianças e capacidade de transformar relações políticas em capilaridade. O próprio PDT também não oferece hoje uma estrutura estadual capaz de resolver sozinho essa deficiência.
Por fim, o ex-prefeito, que tem facilidade em ler cenários, naturalmente tem consciência que está nessa disputa apenas para se posicionar diante do seu eleitor na capital e buscar recuperar a Prefeitura de Aracaju em 2028.


