A disputa pelo Governo de Sergipe atingiu um novo patamar nos últimos dias. Se antes a principal discussão era sobre quem conseguiria chegar à reta final na liderança, especialmente entre Fábio Mitidieri (PSD) e Valmir de Francisquinho (Republicanos), a sequência de pesquisas divulgadas recentemente começa a colocar uma outra questão no centro do debate: haverá segundo turno?
A Quaest (SE-03536/2026) divulgada nesta semana foi mais uma a reforçar esse cenário. Nela, considerando apenas os votos válidos, o governador chega a 52,6%, percentual que seria suficiente para garantir sua reeleição já no primeiro turno.
E não é apenas a Quaest. Outros levantamentos divulgados nos últimos dias também vêm mostrando Fábio à frente e alguns já apontando a possibilidade de a disputa terminar no dia 4 de outubro. A repetição desses resultados começa a mudar a leitura da eleição. A discussão já não está somente em quem ocupa a primeira colocação, mas principalmente se Valmir e os demais adversários conseguirão impedir que Fábio ultrapasse os 50% dos votos válidos nas urnas.
Para Valmir, portanto, o desafio aumentou. O republicano precisa diminuir uma diferença que hoje aparece em dois dígitos e, antes mesmo de pensar em assumir a liderança, garantir que a eleição tenha um segundo turno. É uma situação diferente daquela vista meses atrás, quando os dois chegaram a aparecer muito mais próximos em alguns levantamentos.
É importante frisar que ainda resta muita campanha, propaganda eleitoral, debates e, principalmente, um grande número de indecisos, o que pode mudar o cenário que se tem hoje.
Expectativa era alta
Poucas pesquisas despertaram tanta expectativa nos bastidores quanto a Quaest divulgada nesta semana. E havia motivo: em 2024, o instituto esteve entre os que mais se aproximaram do resultado das urnas em Aracaju, ao lado de Gadu, Atlas e Paraná Pesquisas, apontando a vantagem de Emília Corrêa (Republicanos).
Senado
Para o Senado, o levantamento apontou a liderança de Rogério Carvalho (PT) e André David (Republicanos), que, pelo cenário apresentado pela Quaest, seriam eleitos os dois próximos senadores de Sergipe no Congresso Nacional. Nas redes sociais, o resultado também chamou atenção pela quantidade de comentários classificando os números como coerentes, especialmente diante de uma disputa que vinha apresentando grandes diferenças entre os institutos.
Grande insatisfação
Uma fala de Coronel Rocha deixou evidente sua grande insatisfação com o tratamento recebido dentro do PL neste início de campanha. Após 12 dias, o candidato ao Senado revelou ter recebido como único material uma pequena “bolinha” utilizada em um debate e afirmou contar basicamente com ele próprio e seus dois suplentes na equipe. Mesmo diante da falta de estrutura, afastou qualquer possibilidade de desistência e reforçou que seguirá candidato por acreditar no projeto nacional de Bolsonaro.
Irreversível
Ao contrário do que Emília Corrêa (Republicanos) tem divulgado, dando a entender que a disputa territorial entre Aracaju e São Cristóvão ainda não foi definida, o prefeito da Cidade Mãe de Sergipe, Júlio Nascimento, afirmou que a incorporação da Macrozona do Mosqueiro já é irreversível. Segundo ele, a mudança territorial já foi homologada e São Cristóvão, inclusive, já foi oficialmente comunicado e iniciou os trabalhos para assumir os serviços públicos da região.
Grandes atos para deputados estaduais
Jorginho Araújo (PSD), Coronel Ribeiro (PSD) e Júnior de Diógenes (Avante) surpreenderam nos últimos dias pelo tamanho das mobilizações que vêm colocando nas ruas. Jorginho, que busca a reeleição, mostrou nesta semana que chega bem servido de apoios de prefeitos. Coronel Ribeiro, por sua vez, vem fazendo uma verdadeira maratona pelo estado e, somente nos últimos dias, passou por Monte Alegre, Poço Redondo, Canindé, Nossa Senhora da Glória, Lagarto e Nossa Senhora do Socorro. Júnior, por sua vez, também surpreendeu pela capacidade de mobilização, principalmente em Tobias Barreto, seu principal reduto, mas também fora dele, como mostrou recentemente em Aracaju, onde lotou o espaço escolhido para um de seus atos.
Reforço de peso
Márcio Macedo tem um reforço que poucos candidatos a deputado federal em Sergipe podem colocar na conta: o envolvimento direto de Lula em sua campanha. Além de ter pedido que o ex-ministro voltasse ao estado para disputar uma vaga na Câmara, o presidente já prometeu empenho pessoal em sua eleição e chegou a comparar esse apoio ao que deu no passado a Marcelo Déda. Em uma disputa apertada pelas oito cadeiras de Sergipe, ter Lula diretamente engajado pode ser um dos grandes diferenciais de Márcio.
Protagonismo nacional
Rogério Carvalho voltou a colocar Sergipe no centro de uma das principais discussões do Congresso Nacional. Relator da PEC da Segurança Pública na CCJ do Senado, o petista assumiu papel de destaque na construção de uma proposta considerada estratégica para o país e que trata diretamente do enfrentamento ao crime organizado. Ele já apresentou relatório favorável para acelerar a tramitação da proposta, e a expectativa é de que a votação aconteça já nos próximos dias.
Expectativa alta
O grupo de Sérgio Reis (PSD) chega às eleições com expectativa alta em Lagarto. Depois de reunir seu time em um grande ato no Parque Zezé Rocha nos últimos dias, o prefeito projetou não apenas vitórias para os candidatos que apoia, mas a “maior vitória proporcional de Sergipe” para sua chapa no município.


