Militar da reserva, com longa trajetória na segurança pública e discurso conservador, Coronel Rocha (PL) chega à disputa pelo Senado apostando na proximidade com o bolsonarismo para conquistar espaço em uma das eleições mais concorridas de Sergipe. O problema é que parte justamente de onde também está um de seus maiores obstáculos: encontrar destaque com pouca estrutura em meio a tantos outros fortes nomes que disputam o mesmo eleitor. E a Realce destrincha sobre isso na nova análise de nossa série especial Raio-X.
Rocha construiu boa parte de sua vida profissional na segurança. Coronel da reserva da Polícia Militar, passou por diferentes funções na corporação, chegou a atuar na área de inteligência da PM, comandou a Guarda Municipal de Aracaju e também ocupou função na Secretaria de Justiça e Cidadania. É um currículo que lhe permite tratar de segurança pública não apenas como bandeira eleitoral, mas como uma área na qual acumulou experiência profissional.
Politicamente, encontrou no PL e no bolsonarismo uma identidade bastante definida. Rocha tem adotado um forte discurso de direita, defendendo o ex-presidente Bolsonaro e impeachment de ministros, e demonstrado alinhamento à chapa defendida pelo partido. Em uma eleição fortemente influenciada pela disputa nacional, estar associado a um campo ideológico com eleitorado fiel pode representar um ponto de partida importante.
Mas é justamente aqui que começa uma das dificuldades de sua candidatura. O PL, segundo o próprio afirmou em suas redes sociais, ainda não teria lhe destinado recursos do fundo eleitoral, o que estaria dificultando ainda mais gerar alcance a sua candidatura.
E seu histórico nas urnas reforça o tamanho desse desafio. Rocha já disputou outros cargos, mas ainda não conseguiu construir votações capazes de demonstrar, por si só, uma base eleitoral estadual consolidada. Em 2018, quando concorreu a deputado federal, recebeu 4.477 votos. Dois anos depois, na disputa pela Prefeitura de São Cristóvão, obteve 673 votos. São eleições antigas e de naturezas diferentes, que não determinam o cenário de 2026, mas ajudam a mostrar o ponto de partida de sua candidatura.


