Poucos candidatos entram nesta disputa carregando uma pressão tão grande quanto Eduardo Amorim (Republicanos). O ex-senador tenta voltar à Casa Alta depois de três derrotas consecutivas em eleições majoritárias e, mesmo cercado por uma estrutura política considerável em 2026, ainda não conseguiu demonstrar uma força proporcional ao tamanho dos apoios que possui.
Desde que venceu a eleição para o Senado em 2010, ele não voltou a ganhar nas urnas. Em 2014, tentou o Governo e perdeu para Jackson Barreto ainda no primeiro turno, por uma diferença superior a 120 mil votos. Em 2018, voltou a disputar o Governo, mas caiu para a terceira colocação, sequer chegando ao segundo turno e com menos da metade dos votos obtidos quatro anos antes. Em 2022, tentou retornar ao Senado e novamente terminou em terceiro, atrás de Laércio Oliveira e Valadares Filho.
São três grandes derrotas em sequência, nos últimos oito anos, que ajudam a levantar uma pergunta inevitável nesta eleição: quanto da força eleitoral que levou Eduardo ao Senado em 2010 ainda existe em 2026?
Desta vez, estrutura dificilmente poderá ser apontada como problema. Eduardo conta com o apoio da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), e tem justamente no maior colégio eleitoral de Sergipe a principal máquina política trabalhando em favor de sua candidatura. Mesmo assim, até agora, isso não foi suficiente para produzir a arrancada que poderia ser esperada.
Aracaju, aliás, pode acabar funcionando como uma espécie de termômetro para medir o tamanho do problema. Se Eduardo não conseguir apresentar força expressiva justamente na cidade administrada por sua principal aliada, ficará ainda mais difícil compensar essa deficiência no restante do estado, onde outros candidatos possuem redes de prefeitos e lideranças construídas ao longo dos últimos anos, fator que é uma de suas maiores deficiências.
Nos bastidores, ele ainda possui Edivan Amorim. Irmão do candidato, o empresário é um dos articuladores mais conhecidos da política sergipana e acumulou durante décadas experiência na montagem de grupos, chapas e alianças. E a capacidade dessa articulação continua sendo um trunfo, concentrando sua estratégia em ampliar alianças com lideranças menores no interior, principalmente suplentes e vereador.
Eduardo também tenta recorrer ao próprio passado para recuperar terreno. Já foi senador por Sergipe e possui realizações daquele mandato para apresentar ao eleitor. Seu nome é conhecido em praticamente todo o estado, algo que elimina uma dificuldade enfrentada por candidatos mais novos. Só que, no seu caso, o alto conhecimento vem acompanhado também da memória das derrotas seguintes, em que foi rejeitado pelo eleitor nas urnas três vezes consecutivas.


