A polêmica envolvendo uma suposta pressão sobre servidores contratados para votar no deputado estadual Kaká Santos (UB) segue dando o que falar em Tobias Barreto. Após a repercussão de um áudio atribuído ao vereador Luisete da Samambaia, a Realce obteve com exclusividade outra gravação, feita anteriormente, em que uma pessoa próxima à gestão cita a liberação de pessoas ligadas a uma escola para participar de um encontro com o parlamentar.
No primeiro episódio, Luisete teria afirmado, durante uma reunião, que contratados teriam a “obrigação” de votar em Kaká. Após a repercussão, o vereador se manifestou na Câmara Municipal e disse ter se equivocado ao utilizar a palavra “obrigação”, afirmando que o termo correto seria “gratidão”. Segundo ele, tanto o prefeito Dilson de Agripino quanto Kaká Santos não teriam concordado com a colocação e teriam chamado sua atenção.
Na outra gravação obtida pela revista, um homem próximo ao vice-prefeito fala sobre a disponibilização de um carro para levar pessoas de um povoado a um encontro com Kaká, que teria ocorrido no dia 18 de agosto, e afirma que o pessoal de uma escola já estaria liberado para participar.
“O pessoal da escola, a coordenadora, a professora já liberou […] para quem quiser vir”, afirma. Na sequência, ele ainda reforça que seria “bom” que as pessoas marcassem presença.
O áudio não comprova, por si só, que servidores tenham sido obrigados a participar do encontro. Mas chama atenção principalmente pelo contexto em que aparece agora, justamente após a repercussão da fala de Luisete.
A legislação eleitoral proíbe o uso de servidores públicos em benefício de candidaturas durante o horário de expediente. Já eventual pressão sobre contratados ou servidores para apoiar ou votar em determinado candidato pode levantar suspeitas de assédio eleitoral e abuso de poder político, a depender das circunstâncias e das provas.
A Realce procurou o deputado para maiores esclarecimentos, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.


