O Fábio Mitidieri (PSD) que pediu o voto dos sergipanos em 2022 estava diante de um desafio bem diferente do atual. Naquela eleição, carregava a imagem de continuidade da gestão de Belivaldo Chagas, algo que não se confirmou com o tempo, já que o ex-governador hoje caminha com Valmir de Francisquinho. Mas ele acabou absorvendo parte da rejeição daquela gestão e, ainda sem ter ocupado o principal cargo do Executivo estadual, precisava conquistar a confiança do eleitor, apresentar suas ideias sem gerar desafeto com seu então aliado e, ao mesmo tempo, mostrar que poderia fazer diferente por Sergipe.
Quatro anos depois, aquela desconfiança em torno de Fábio caiu por terra, e ele mostrou ser um gestor habilidoso. Continua tendo promessas a fazer, claro, como qualquer candidato, mas chega à disputa pela reeleição com algo que não tinha naquela época: uma gestão inteira para colocar na mesa, o que talvez seja hoje sua principal carta na manga.
Isso porque é justamente aí que está um dos seus principais trunfos nesta eleição. Sergipe conseguiu alcançar destaque nacional em diferentes áreas durante os últimos anos. Na Segurança Pública, por exemplo, o estado chegou a três anos consecutivos como o mais seguro do Nordeste e registrou uma das maiores reduções da violência do país. Na Educação, foram mais de 100 obras entregues, 271 escolas climatizadas, expansão do ensino integral, intercâmbio para estudantes e professores e a conquista do Selo Ouro de alfabetização por dois anos consecutivos. O abandono escolar também caiu aos menores patamares da história recente da rede estadual.
Na Saúde, Fábio também tem entregas de peso para apresentar. O Hospital do Câncer finalmente saiu do papel, o Opera Sergipe ampliou o acesso a cirurgias e serviços antes concentrados na capital começaram a chegar ao interior, a exemplo da ressonância magnética em Itabaiana e da hemodinâmica. Na infraestrutura, a quantidade de rodovias recuperadas e de investimentos levados aos municípios também passou a ocupar espaço importante na vitrine do governo.
Isso muda bastante a posição de Fábio na disputa. Se em 2022 era ele quem precisava convencer o eleitor de que suas propostas poderiam dar certo, mesmo com a desconfiança já citada acima, agora são seus principais adversários que precisam conquistar essa confiança apresentando aquilo que pretendem fazer caso cheguem ao governo. Fábio, por sua vez, pode fazer as duas coisas: apresentar novos compromissos e apontar para aquilo que já entregou. Em uma eleição para governador, essa diferença não é pequena.
É claro que ter obras, bons indicadores e programas para apresentar não garante eleição. O ponto mais importante é saber se o eleitor percebeu essas mudanças. E talvez seja justamente aí que esteja a melhor notícia para Fábio nesta altura da campanha. Sua gestão chegou a altos índices de aprovação e as pesquisas eleitorais divulgadas até aqui têm mostrado, em sua ampla maioria, o governador na liderança e com uma distância confortável para o segundo colocado.
Alguns levantamentos, inclusive, já mostraram Fábio acima dos 50% quando considerados apenas os votos válidos, abrindo uma possibilidade concreta de vitória ainda no primeiro turno.

