Diante da fragmentação de nomes da direita na corrida pelo Senado, que é uma das prioridades especialmente dos bolsonaristas nas eleições deste ano, Rodrigo Valadares (PL) não tem encontrado um caminho nada fácil para consolidar a fidelidade do eleitor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Mesmo sendo o nome do clã em Sergipe, o deputado disputa essa mesma faixa do eleitorado com candidaturas que também possuem identificação com pautas da direita.
André David (Republicanos), por exemplo, tem conquistado melhores posições do que Rodrigo nas pesquisas, acendendo o alerta na campanha do deputado, enquanto um nome de esquerda, Rogério Carvalho (PT), tem aparecido na frente para a primeira vaga. Ele possui forte aceitação entre eleitores da direita, mas sua força vem principalmente da imagem construída a partir de sua atuação na segurança pública enquanto delegado.
Alessandro Vieira (MDB), por sua vez, foi eleito senador em 2018 pelo bolsonarismo, e tenta recuperar justamente essa parcela que foi fundamental para sua vitória naquele ano, ao mesmo tempo que também tenta conquistar o eleitor de esquerda. Nas últimas semanas, tem reforçado posicionamentos críticos a ministros do Supremo Tribunal Federal, aproximando seu discurso de uma das bandeiras que mais mobilizam o bolsonarismo e entrando diretamente na disputa por esse eleitor.
É aí que surge talvez um dos maiores desafios de Rodrigo nesta reta final. Ter o apoio de Flávio Bolsonaro e carregar oficialmente essa identificação não significa necessariamente monopolizar o voto bolsonarista em Sergipe. Com André David penetrando no voto bolsonarista e Alessandro tentando reconstruir pontes com esse eleitorado, resta saber se Valadares conseguirá, nas urnas, casar o voto dado a Bolsonaro com o seu próprio nome para o Senado, uma transferência que pode ser decisiva para suas chances nesta eleição.

