A ofensiva de Lula (PT) contra as casas de apostas começa a ganhar o reforço de algumas das principais lideranças petistas do país. Em Sergipe, o senador Rogério Carvalho (PT) e Márcio Macedo (PT), dois nomes com forte ligação com o presidente e com a direção nacional do partido, já se posicionaram publicamente a favor do endurecimento das medidas contra as bets e reforçaram a iniciativa defendida pelo chefe do Executivo para enfrentar o avanço das apostas no Brasil.
Questionado pela Realce sobre o assunto, Rogério avaliou que o setor cresceu de maneira excessiva mesmo depois da regulamentação e defendeu uma medida ainda mais dura. “As bets, nesse período que foram regulamentadas, expandiram-se demais, sem limitações de propaganda, sem cumprir aquilo que estava determinado de ter cadastro de pessoas viciadas. Então, ao que tudo parece, o caminho vai ser a gente impedir o funcionamento das bets. Eu defendo que o presidente suspenda as bets de funcionamento”, afirmou.
Márcio também reforçou a posição de Lula e colocou principalmente os efeitos das apostas sobre as famílias no centro da discussão. “As bets estão causando um problema no Brasil muito sério. As famílias estão sofrendo com as pessoas viciadas”, afirmou à Realce. Para ele, a facilidade de acesso aos jogos pelo celular tornou o problema ainda mais grave. “As pessoas estão se viciando, as pessoas estão mentindo para os seus familiares, dizem que não estão jogando e estão. […] Então esse é um problema hoje de saúde pública e eu quero aqui dizer que tenho total solidariedade com o presidente e vou estar com ele nessa luta contra as bets”, completou.
O movimento ocorre justamente em meio à reação de clubes do futebol brasileiro contra uma eventual proibição, diante do peso que as empresas do setor passaram a ter nos contratos de patrocínio. Lula, no entanto, elevou o tom contra as apostas e colocou os impactos sociais e o crescimento dos casos de dependência como argumentos para uma intervenção mais dura do Governo Federal. O desenho definitivo da Medida Provisória, porém, ainda é discutido no Planalto e será o ponto central para definir até onde chegarão as novas restrições ao setor.


