A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25, as pesquisas eleitorais apontam para uma disputa extremamente apertada entre o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), num cenário que aumenta a expectativa sobre o resultado de uma eleição que poderá entrar para a história como uma das mais acirradas desde a redemocratização.
Um dos levantamentos que chamam a atenção é o do PollingData, sistema criado em 2014 e considerado um dos mais antigos agregadores de pesquisas do Brasil. Segundo os dados apresentados pelo professor e jornalista Felipe Pena, a plataforma aponta uma probabilidade superior a 70% de vitória de Lula.
Mas apesar dos números apresentados, ele recomenda cautela na interpretação dos dados. Conforme o professor, os agregadores reúnem pesquisas realizadas por diferentes metodologias, incluindo entrevistas presenciais, telefônicas e pela internet. E considera que a vantagem apontada para Lula pode estar superestimada e avalia que a diferença real entre os candidatos estaria entre meio e um ponto percentual, mantendo a disputa em aberto.
Outro fator decisivo é a abstenção eleitoral. Aproximadamente 33 milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno, e parte dos levantamentos aponta vantagem de Lula entre esses eleitores. Entretanto, como observa o professor, não existe garantia de que esse contingente comparecerá às urnas no próximo domingo, o que pode alterar significativamente o resultado e beneficiar qualquer um dos candidatos.
Já com relação à transferência dos votos de outras lideranças, de acordo com Felipe Pena, o eleitorado de Ciro Gomes apresenta uma divisão equilibrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto os apoiadores de Ronaldo Caiado demonstram maior tendência de apoio ao candidato do PL. Entre os eleitores de Renan Santos, a possibilidade de votos nulos aparece com maior intensidade.
Nesse cenário, as pesquisas Quaest e Datafolha são aguardadas com expectativa pelas duas campanhas. Com diferenças consideradas pequenas e um contingente expressivo de eleitores ainda sujeito a mudanças de posição ou à abstenção, o último debate presidencial poderá ter peso importante na definição do resultado. Até lá, o cenário permanece indefinido, com Lula e Flávio Bolsonaro disputando cada voto na reta final.


