A Realce dá continuidade à série especial de análises sobre os primeiros dois anos de mandato dos principais prefeitos sergipanos. Desta vez, o destaque é a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), que chega à reta final da primeira metade de sua gestão diante de um cenário bastante diferente daquele que marcou sua chegada ao poder.
Eleita em 2024 com um discurso de renovação política e administrativa, com o chamado “anti-sistemão”, Emília enfrenta agora o desafio de transformar as expectativas criadas em torno de sua vitória em resultados concretos, ao mesmo tempo em que precisa reorganizar seu agrupamento, enfraquecido pelos resultados das eleições de 2026.
Entre as principais ações da gestão estão investimentos em infraestrutura urbana, recuperação de vias e requalificação de espaços públicos. Um dos destaques foi a entrega da primeira etapa da Orla Governador João Alves Filho, na Coroa do Meio, com aproximadamente 1,2 quilômetro de extensão e investimento de R$ 20 milhões. A intervenção, iniciada na administração anterior, passou a integrar o conjunto de entregas realizadas durante o mandato de Emília. A Prefeitura também anunciou R$ 3,6 milhões para melhorias em dez praças da capital, além de apresentar um planejamento de R$ 435,4 milhões em investimentos com recursos provenientes da outorga da Deso, destinados a intervenções estruturantes na cidade.
Segundo dados encaminhados ao Tesouro Nacional, Aracaju registrou R$ 742,4 milhões em despesas empenhadas na saúde e R$ 598,5 milhões na educação em 2025. No mesmo período, a rede municipal alcançou nota 5,8 no Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental. Já no campo financeiro, a Prefeitura encerrou o primeiro ano da gestão com arrecadação de R$ 3,83 bilhões e superávit orçamentário de R$ 207,1 milhões. Apesar do resultado positivo, o volume de investimentos municipais caiu de R$ 626,2 milhões em 2024 para R$ 548,6 milhões em 2025, conforme dados apresentados à Câmara Municipal.
Entretanto, é no campo político que Emília encontra seu maior desafio. As eleições de 2026 representaram uma dura derrota para seu agrupamento, que não conseguiu eleger os principais nomes apoiados pela prefeita. Valmir de Francisquinho foi derrotado na disputa pelo Governo de Sergipe, enquanto Eduardo Amorim e André David não conquistaram vagas no Senado. O mesmo aconteceu com os candidatos apoiados para a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa. Na disputa presidencial, Emília também esteve ao lado de Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula. O resultado deixou a prefeita em uma situação politicamente mais delicada do que aquela em que iniciou o processo eleitoral.
O desempenho de seus aliados ganha ainda mais importância quando se considera o peso de Aracaju no cenário estadual. À frente da Prefeitura da capital, Emília dispõe de uma das principais estruturas administrativas e políticas de Sergipe, mas os resultados das urnas mostraram que essa posição não foi suficiente para garantir o desempenho esperado de seu grupo. Agora, além de fortalecer a gestão, a prefeita terá de trabalhar na reorganização das lideranças que integram sua base, reconstruir alianças e recuperar espaço político, já de olho nas eleições municipais de 2028.
Também foram várias as polêmicas e denúncias de supostas irregularidades que marcaram a gestão. Entre os episódios de maior repercussão estão a contratação, sem licitação, de um carro blindado para a prefeita, ao custo de R$ 312 mil anuais, questionada judicialmente pelo Ministério Público; as denúncias envolvendo dispensas de licitação e contratos da Emsurb; e a investigação sobre um suposto esquema de desvio de recursos na Secretaria Municipal da Educação, que ganhou repercussão após a apreensão de R$ 240 mil com um servidor. Em agosto de 2026, a Operação Histograma também investigou suspeitas de fraudes em contratos municipais.
Emília chega, portanto, à reta final dos primeiros dois anos de mandato diante de uma fase decisiva. O desafio será conciliar a entrega de obras, a melhoria dos serviços públicos e a recuperação da força política de um agrupamento que saiu enfraquecido das eleições de 2026.

