Sergipe tem testemunhado desde o ano passado uma completa reformulação dentro do Partido Liberal, que passou a ser única e exclusivamente um berço bolsonarista no estado, expulsando aqueles que costumavam ficar em cima do muro nas pautas consideradas essenciais para apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. E essa mudança abriu precedente para a construção de um novo palanque da direita, que deve colocar à prova uma questão central: afinal, os votos pertencem ao eleitorado conservador ou aos políticos que historicamente sempre controlaram esse campo na menor unidade da federação?
Hoje, no estado, para a disputa majoritária, os conservadores se veem divididos entre duas alas: uma liderada por Rodrigo Valadares (UB), em alinhamento com Flávio Bolsonaro (PL), que prevê a formação de seu palanque presidencial em Sergipe com Ricardo Marques (Cidadania) como pré-candidato ao Governo do Estado e Coronel Rocha, junto ao deputado bolsonarista, ao Senado; e a outra encabeçada por Edivan Amorim (Podemos), líder da direita em cargos e poder, que tem feito de tudo para não perder essa posição, impulsionando uma possível candidatura de Valmir de Francisquinho (Republicanos) ao Palácio dos Despachos e de seu irmão, o ex-senador Eduardo Amorim (Republicanos), para a Casa Alta, contando ainda com a força da máquina de Aracaju diante do respaldo da prefeita Emília Corrêa (Republicanos).
E se Rodrigo e seu grupo tiverem êxito nas eleições, o resultado poderá indicar que as grandes votações de 2022 e 2024 não pertencem necessariamente a lideranças específicas, como Valmir ou Emília, mas ao próprio eleitorado conservador, como defendeu recentemente a vereadora e atual presidente estadual do PL, Moana Valadares. “Eles acham que os votos são deles. Em 2026 eles entenderão”, escreveu, em publicação nas redes sociais.
Com Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro agora alinhados a esse novo palanque, como ressaltaram publicamente em diversas ocasiões ao darem a Valadares o poder de ditar os rumos do bolsonarismo no estado, a disputa tende a mostrar se essas votações são fruto da força da direita em Sergipe, ou apenas do peso político de determinados nomes.


