O anúncio de mais de R$ 72,5 bilhões em investimentos da Petrobras em Sergipe hoje, 29, colocou o estado no centro da nova política energética brasileira e deve transformar completamente a economia sergipana nos próximos anos. O pacote, confirmado durante agenda do presidente Lula (PT) no estado, prevê investimentos em exploração de petróleo em águas profundas, expansão da produção de gás natural e fortalecimento do setor nacional de fertilizantes, consolidando Sergipe como uma das principais fronteiras energéticas do país.
O maior volume de recursos será destinado ao projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), que sozinho receberá mais de R$ 60 bilhões. A iniciativa prevê a instalação de duas plataformas capazes de produzir 200 mil barris de petróleo por dia e 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a entrada em operação das unidades fará Sergipe assumir o posto de maior produtor de petróleo do Nordeste, abrindo uma nova fronteira de exploração energética na região.
Os investimentos também ampliam o protagonismo sergipano no setor de fertilizantes. A retomada da Fafen-SE, localizada em Laranjeiras, faz parte da estratégia nacional para reduzir a dependência externa do Brasil, agravada após conflitos internacionais e crises de abastecimento nos últimos anos. A unidade sergipana já possui capacidade para produzir 1.800 toneladas de ureia por dia e deve atender cerca de 7% da demanda nacional do produto. A Petrobras ainda estuda ampliar a capacidade das fábricas de Sergipe, Bahia e Mato Grosso do Sul, podendo dobrar a produção nas unidades já existentes.
Durante o anúncio, Lula voltou a defender o fortalecimento das estatais e afirmou que os investimentos fazem parte da política de ampliação da autonomia energética brasileira. O presidente citou os impactos provocados pelas guerras entre Rússia e Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio, argumentando que o Brasil precisa reduzir sua dependência de importações de petróleo, derivados e fertilizantes. Já Magda Chambriard destacou que a Petrobras pretende atender até 75% da demanda brasileira de fertilizantes nitrogenados até 2030, cenário impulsionado pelo aumento da produção de gás natural, que saltou de 29 milhões para cerca de 50 milhões de metros cúbicos por dia.
Além do impacto energético, o pacote também deve provocar forte movimentação econômica em Sergipe. O plano inclui a geração de milhares de empregos diretos e indiretos, fortalecimento da cadeia de óleo e gás, expansão da atividade industrial e crescimento da arrecadação estadual. Parte dos recursos ainda será aplicada no descomissionamento de 26 plataformas em águas rasas, processo que envolve recuperação ambiental e geração de aproximadamente dois mil empregos, segundo a Petrobras.


