A vereadora Sônia Meire (PSOL) voltou a criticar duramente o ex-prefeito de Itabaiana e pré-candidato ao Governo de Sergipe, Valmir de Francisquinho (Republicanos), após o recuo da ação judicial movida contra jornalistas, comunicadores e parlamentares que criticaram sua fala sobre mulheres na política. Segundo ela, a pressão popular teve peso decisivo para que ele desistisse da ação.
“Primeiro, eu acho que a pressão social foi grande, nós recebemos muita solidariedade e aí ele teve que recuar, porque isso é um absurdo”, afirmou, em conversa com a Realce.
Sônia destacou, no entanto, que a desistência não significa necessariamente o encerramento definitivo do caso no Judiciário. “Embora o recuo dele não signifique que o processo seja arquivado, porque o próprio Judiciário pode definir caminhar com a parte do processo. E foi isso que aconteceu. Então, se tiver qualquer desdobramento, ele vai ter que responder também por isso”, declarou.
Durante a entrevista, a parlamentar afirmou que Valmir deveria ter refletido sobre o teor da própria fala, ao invés de ingressar com ação contra profissionais da imprensa e mulheres que criticaram a declaração.
“Ele deveria ser humilde e analisar o que foi que ele falou, inclusive sobre a própria companheira dele. Que é um absurdo. Isso demonstra o grau de opressão que existe”, disse.
Sônia também afirmou que a declaração do ex-prefeito ultrapassa os limites da liberdade de expressão e contribui para estimular violência política de gênero. “Isso não é liberdade de expressão. Liberdade de expressão é outra coisa. Liberdade de expressão é quando você não utiliza de narrativas para causar mais violência de gênero e violência política de gênero”, afirmou.
A vereadora ainda declarou que falas como a de Valmir reforçam práticas machistas e misóginas historicamente enfrentadas pelas mulheres. “Quando ele diz ‘mulher na política, nem pensar’, ele generalizou, não falou só sobre a companheira dele. E ainda que fosse só sobre ela, nós não somos daquelas que dizem que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, pontuou.
Para Sônia, a repercussão negativa do episódio atingiu diretamente a imagem política do pré-candidato ao Governo de Sergipe. “A pressão foi grande, ela continua sendo grande, porque isso repercutiu muito mal. Um candidato, um pré-candidato a governo, que tem como aliada uma prefeita que é uma mulher, é inadmissível”, concluiu.
Confira vídeo na íntegra no perfil oficial da Realce no Instagram.


