A pouco menos de três meses da eleição, a disputa pelo Governo de Sergipe começa a ganhar contornos mais nítidos também a partir daquilo que cada pré-candidato leva consigo para a campanha e a que a Realce destrinchará nesta análise.
No caso do governador Fábio Mitidieri (PSD), a principal bagagem é, sem dúvida, a de gestor. Alicerçado por um mandato marcado por entregas, obras e investimentos em diferentes áreas, ele chega à corrida com o trunfo de quem terá a própria gestão como vitrine e, muito provavelmente, como seu maior cabo eleitoral, como tem sido visto até aqui nas pesquisas de opinião pública.
Já Valmir de Francisquinho (Republicanos) desembarca no processo carregando um peso bem maior, mas que é consequência de suas próprias ações desastrosas. Além do histórico de declarações polêmicas, dos desgastes provocados por ataques a aliados e da dificuldade de manter coesão em torno do próprio grupo, ele ainda convive com a insegurança jurídica gerada pelo caso do Matadouro de Itabaiana, que voltou ao centro do debate neste ano após parecer do MPF pela manutenção de sua condenação. Soma-se a isso o desgaste com parte expressiva do eleitorado bolsonarista, que foi uma das bases centrais de sua votação em 2022, mas passou a reagir com desconfiança diante das alianças que seu agrupamento vem firmando com setores da esquerda.
No caso de Ricardo Marques (PL), a bagagem é de outra natureza. Ele chega como um nome que ainda precisa provar que tem densidade administrativa e política para sustentar um projeto majoritário, mas, ao contrário do que ocorreu com Fábio em 2022, já entra na disputa com um ativo importante: a confiança de uma parcela do eleitorado, especialmente do campo da direita, que o vê como uma aposta viável para o pleito. Ainda assim, sua pré-candidatura também carrega o desafio de sair do campo da expectativa e mostrar ao eleitor que tem consistência para enfrentar uma disputa de alto nível e não apenas ocupar o espaço do discurso oposicionista.
É esse conjunto de bagagens, positivas ou negativas, que começará a ser pesado pelo eleitor sergipano na reta decisiva até outubro.


