O vereador Elber Batalha (PSB) voltou a falar sobre a condução política da Prefeitura de Aracaju e reforçou, em declaração exclusiva à Realce, a tese de que Edivan Amorim (Republicanos) exerce hoje um papel central no comando da administração municipal, a ponto de ser tratado por ele como o verdadeiro “prefeito” da capital.
A declaração reacende uma crítica que o parlamentar já vinha fazendo desde o ano passado, quando passou a sustentar que Edivan controlaria algo entre 70% e 80% das pastas da gestão de Emília Corrêa (Republicanos). Agora, em meio ao agravamento da crise na Secretaria da Educação, comandada por Edna Amorim, irmã de Edivan, Elber voltou a associar o empresário ao núcleo real de poder da Prefeitura.
Questionado sobre por que insiste nessa leitura, Elber afirmou que não se trata de uma provocação, mas de uma constatação baseada na própria composição da gestão. Segundo ele, Emília foi eleita para governar Aracaju, mas teria aberto mão desse protagonismo ao entregar o comando político e administrativo da máquina a Edivan. “Eu não acho que ele deveria ser, não. Eu disse que ele é. Eu disse que a prefeita Emília foi eleita para ser a prefeita, mas que ela abriu mão disso. E entregou a gestão de Aracaju a Edivan Amorim”, afirmou.
Para sustentar a acusação, o vereador listou uma série de cargos que, segundo ele, estariam sob influência direta de Edivan. Elber citou a indicação de Edna Amorim para a Secretaria da Educação, da secretária da Saúde, do procurador-geral do Município, do secretário de Planejamento e Gestão, do presidente da Emurb e do presidente da Emsurb, além de apontar que Emília teria nomeado diretamente apenas um número reduzido de auxiliares mais próximos, entre eles familiares. Na avaliação do parlamentar, esse desenho administrativo revela uma transferência do centro de decisões da Prefeitura, esvaziando o comando formal de Emília sobre a gestão.
Elber ainda afirmou enxergar, dentro da atual administração, um cenário de dispersão de autoridade e de ausência de controle, comparando o momento da Prefeitura ao fim da gestão de João Alves Filho, quando, segundo ele, “cada secretário virou um prefeito em si mesmo”. Ao fazer o paralelo, porém, o vereador destacou que, no caso de João, havia um quadro de saúde que explicava o enfraquecimento do comando, enquanto na gestão atual o que haveria seria “omissão clara”. Para ele, a permanência desse modelo tende a levar a administração a um “fim desastroso”, caso Emília não reassuma plenamente o comando da Prefeitura e imponha uma reorganização no núcleo da gestão.


