Falta praticamente um mês para os sergipanos irem às urnas e, naturalmente, conforme o pleito se aproxima, os ânimos ficam mais acirrados e a disputa ganha intensidade. Críticas, cobranças, questionamentos e até embates mais duros fazem parte de qualquer eleição. O problema começa quando esse confronto deixa o campo político e passa a atingir aspectos pessoais, como a família, a religião ou outros direitos individuais.
Foi o que ocorreu com a primeira-dama de Sergipe e secretária da Assistência Social, Érica Mitidieri. Um perfil utilizou imagens de sua participação em um evento religioso para afirmar, de maneira pejorativa, que ela estaria em um “terreiro de macumba”.
Segundo a Justiça Eleitoral, o conteúdo teve caráter discriminatório e buscou atingir politicamente o governador Fábio Mitidieri (PSD), candidato à reeleição e esposo de Érica. O juiz auxiliar Jailsom Leandro de Sousa considerou que a publicação ultrapassou os limites da liberdade de expressão e da crítica política. A retirada do vídeo foi determinada no prazo de duas horas, sob pena de multa diária de R$ 15 mil.
Em resposta, Érica não alimentou o confronto. Relembrou que sempre esteve presente em igrejas, cultos, terreiros e encontros espíritas e defendeu que todas as pessoas tenham o direito de viver sua fé em paz. “A fé não pode ser usada para espalhar medo, preconceito ou dividir as pessoas”, afirmou.
O episódio, porém, acende um alerta importante para esta reta final: até onde pode ir o embate eleitoral? A legislação assegura ampla liberdade para críticas a candidatos, gestores e agentes públicos, inclusive de forma contundente. Essa proteção, no entanto, não transforma o período eleitoral em um espaço sem limites, especialmente quando manifestações deixam de questionar posições ou atos políticos e avançam sobre direitos protegidos.
É natural que quem ocupa a vida pública esteja mais exposto a críticas. Isso não significa que ataques à fé, à família ou à dignidade devam ser tratados como parte normal de uma campanha. Normalizar esse tipo de comportamento apenas reduz a qualidade do debate e desvia a eleição daquilo que deveria estar no centro da discussão: propostas, resultados, posições políticas e os caminhos que cada candidatura apresenta para Sergipe.

