Engana-se quem pensa que o tamanho territorial de Sergipe limita sua importância no cenário político nacional. O menor estado do Brasil mostrou, mais uma vez, sua força nas urnas e teve participação expressiva na reeleição do presidente Lula (PT). Foi justamente em território sergipano que o petista registrou o maior crescimento em pontos percentuais entre o primeiro e o segundo turno em todo o Nordeste. Sua votação passou de 62,75% para 69,53% dos votos válidos, um avanço de 6,78 pontos percentuais, como já abordado pela Realce.
E esse resultado não surgiu por acaso. Sergipe mantém uma relação eleitoral histórica com Lula, que encontrou no estado uma de suas bases de apoio mais consistentes ao longo de suas disputas presidenciais. Em 2026, essa força ficou evidente principalmente no interior, onde o petista venceu nos 75 municípios sergipanos. Em dez deles, alcançou percentuais superiores a 79% dos votos válidos, chegando a 84,02% em Santo Amaro das Brotas.
Mas vale destacar que nenhuma campanha dessa dimensão se sustenta apenas no histórico eleitoral. Lula também contou com um verdadeiro exército político em Sergipe, comandado por dois de seus principais “generais”: o governador Fábio Mitidieri (PSD) e o senador Rogério Carvalho (PT). Ambos estiveram à frente da mobilização estadual pela reeleição do presidente, reunindo mais de 50 prefeitos, parlamentares e lideranças municipais. A articulação teve como principais objetivos reduzir a abstenção e ampliar a votação do petista em relação a 2022. O resultado nas urnas demonstrou a capacidade de mobilização dessa aliança.
Essa força também se refletiu na atuação das lideranças municipais, que tiveram papel importante na mobilização dos eleitores. Em Lagarto, por exemplo, o prefeito Sérgio Reis (PSD) assumiu a coordenação da campanha de Lula e viu a votação do presidente crescer 16,33% entre os dois turnos, passando de 43.033 para 50.062 votos. O petista terminou a disputa com 72,09% dos votos válidos no município. Em outras cidades, como Pacatuba, Gararu, Indiaroba e Riachão do Dantas, o apoio dos gestores locais também integrou a ampla mobilização que marcou o segundo turno em Sergipe.
O peso de Sergipe também aparece quando se observa o resultado nacional. Lula foi reeleito com uma vantagem de aproximadamente 4,43 milhões de votos, enquanto somente em Sergipe abriu uma diferença de 555.687 votos sobre o adversário, equivalente a cerca de 12,5% da margem nacional. Além disso, a abstenção no estado caiu de 17,30% no primeiro turno para 15,71% no segundo, ficando também abaixo dos 18,89% registrados na eleição presidencial de 2022. São números que ajudam a dimensionar a contribuição sergipana para a vitória do presidente.
Olhares para 2028
Com o fim oficial das eleições de 2026, os olhares agora se voltam naturalmente para o pleito municipal de 2028, quando prefeitos buscarão a reeleição ou trabalharão para eleger seus sucessores. E, embora ainda faltem dois anos, as movimentações já começam a agitar os bastidores da política sergipana, com articulações, possíveis candidaturas e rearranjos de grupos que prometem ganhar força nos próximos meses.
Republicanismo
Superadas as disputas eleitorais de 2026, o governador Fábio Mitidieri e a prefeita Emília Corrêa (Republicanos) demonstraram que as divergências políticas não precisam se sobrepor ao respeito institucional. Durante a inauguração do monumento em homenagem a Santo Antônio, Fábio agradeceu a presença da prefeita, enquanto Emília fez questão de elogiar a iniciativa do Governo do Estado, destacando sua importância para a história e o turismo religioso de Aracaju. Uma postura republicana de ambos os lados, que merece ser reconhecida, sobretudo depois de uma campanha marcada por tantos embates.
Rearranjos no governo
Apesar de sinalizar que pretende manter boa parte do atual secretariado, o governador deverá abrir espaço para negociações com os partidos aliados, especialmente o PT, que retornou à base governista. Entre as possibilidades estão os retornos de Cláudio Mitidieri à Saúde e Zezinho Sobral à Educação, além da criação de uma secretaria voltada à Região Metropolitana, que poderá ser ocupada por Katarina Feitoza. As definições devem ocorrer ao longo dos próximos meses, com possíveis reflexos também na composição da Câmara Federal e da Assembleia Legislativa.
Destino Brasília
Eleito deputado federal com 105.865 votos, a segunda maior votação de Sergipe, Cláudio confirmou que assumirá seu mandato na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2027. O médico pretende iniciar sua trajetória no Congresso Nacional, tendo a saúde entre suas prioridades. Sobre um possível retorno à Secretaria de Estado da Saúde, revelou que já conversou com o governador, mas que ainda não há qualquer definição. A possibilidade será reavaliada mais adiante.
De volta à Alese
Caso Zezinho retorne ao comando da Secretaria de Estado da Educação, como vem sendo articulado pelo governador, quem deverá assumir sua cadeira na Assembleia Legislativa de Sergipe é Venâncio Fonseca (PSB), suplente do partido.
Katarina e Anderson
Outro nome que pode ser beneficiado pelas mudanças no governo é Anderson de Zé das Canas (PSD). Caso a deputada federal reeleita Katarina Feitoza aceite o convite do governador para integrar a gestão estadual, Anderson, primeiro suplente do partido, deverá assumir sua cadeira na Câmara Federal, uma possibilidade que já havia sido analisada pela Realce antes mesmo do resultado das eleições deste ano.
Disputa na Alese
Com a nova composição da Assembleia Legislativa definida, PSD e Federação União Progressista, que conquistaram as maiores bancadas, concentram as articulações pela presidência da Casa. Nos bastidores, a expectativa é de que o comando fique com o PSD, partido de Fábio Mitidieri. Nesse cenário, Jorginho Araújo aparece entre os principais nomes, reunindo experiência parlamentar, capacidade de articulação e apoios importantes, inclusive dentro da cúpula partidária. Já Cristiano Cavalcante (UB) representa uma das alternativas da federação.
Marca do mandato
Reeleito para mais oito anos no Senado, Rogério Carvalho (PT) segue reforçando uma das principais marcas de sua atuação parlamentar: a defesa dos trabalhadores e dos direitos sociais. Nesta semana, o senador apresentou quatro projetos de lei voltados à valorização profissional e à proteção social, incluindo a extensão do piso salarial aos professores da rede privada e aos profissionais terceirizados da enfermagem, além de medidas de proteção às vítimas de violência sexual e de incentivo à igualdade de oportunidades no futebol feminino. As propostas ainda serão analisadas pelo Congresso Nacional.
Nome à disposição
De olho nas eleições de 2028, o deputado estadual Georgeo Passos (Republicanos) admitiu à Realce a possibilidade de disputar novamente a Prefeitura de Ribeirópolis. O parlamentar demonstrou interesse, mas ressaltou que a decisão dependerá de seu agrupamento político. “Se o nosso grupo mais uma vez nos fizer essa convocação, com certeza estaremos à disposição”, afirmou.

