A proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da jornada 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias para descansar um, entra nesta semana em uma fase decisiva no Congresso Nacional. O deputado federal Leo Prates, relator da PEC, deve apresentar na quarta-feira, 20, a primeira versão do parecer final da matéria, após uma série de articulações envolvendo lideranças da Câmara dos Deputados.
Antes disso, Leo Prates deve se reunir com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e com o presidente da comissão especial que analisa o texto, Alencar Santana, para discutir os últimos ajustes da proposta. O texto em debate prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso sem redução salarial.
O principal ponto de divergência atualmente envolve a regra de transição. Enquanto setores empresariais defendem uma mudança mais lenta, com redução gradual da carga horária ao longo dos anos, parlamentares da base pressionam por uma implementação mais rápida da medida. A proposta deve estabelecer apenas regras gerais, deixando particularidades de categorias específicas para projetos de lei posteriores.
Em Sergipe, a maioria dos parlamentares consultados pela Realce confirmou apoio à proposta. O deputado federal João Daniel (PT) afirmou que votará favoravelmente ao texto. “Eu votarei a favor do projeto pelo fim da escala 6 por 1, pelo direito dos trabalhadores e trabalhadoras poderem ter, no mínimo, dois dias de descanso”, declarou.
A deputada federal Delegada Katarina (PSDG também declarou apoio, mas defendeu cautela na implementação. “Sou favorável à construção de modelos de trabalho mais justos e equilibrados. Ao mesmo tempo, entendo que essa mudança precisa ser feita com responsabilidade”, afirmou à Realce.
Outros nomes da bancada sergipana também já confirmaram voto favorável, entre eles Ícaro de Valmir (Republicanos), Yandra Moura (UB), Thiago de Joaldo (Republicanos) e Gustinho Ribeiro (PP).
Ícaro afirmou que votará “a favor do trabalhador sempre”, enquanto Yandra relembrou que foi uma das primeiras parlamentares sergipanas a assinar a proposta ainda em 2024. Thiago declarou que “pretende apoiar a iniciativa”, enquanto Gustinho resumiu sua posição de forma direta: “Sou a favor”. Os demais deputados não responderam aos contatos feitos pela reportagem da Realce sobre posicionamento em relação à PEC.
A expectativa da cúpula da Câmara é votar a proposta ainda neste mês. Hugo Motta trabalha para levar a PEC ao plenário já no dia 27 de maio, logo após a votação na comissão especial prevista para o dia 26. O objetivo é acelerar a tramitação no Senado e concluir a análise antes do período eleitoral de 2026.

