Poucas pesquisas eleitorais divulgadas em Sergipe neste ano despertaram tanta expectativa nos bastidores quanto a Quaest apresentada pela TV Sergipe nesta quinta-feira, 27. Em uma eleição que já acumula mais de 70 levantamentos registrados para diferentes cargos e resultados muitas vezes divergentes, havia uma razão para a classe política aguardar os novos números com atenção redobrada: a credibilidade conquistada pelo instituto nacionalmente e a confiança dos sergipanos pelo desempenho certeiro nas últimas eleições.
A Quaest se consolidou nos últimos ciclos eleitorais entre os institutos de maior projeção do país e realiza levantamentos para grandes veículos de comunicação. Em 2024, suas pesquisas presenciais estiveram entre as que mais se aproximaram das urnas em disputas importantes. Um exemplo foi São Paulo: às vésperas do primeiro turno, o instituto identificou o cenário de empate técnico entre Ricardo Nunes, Guilherme Boulos e Pablo Marçal que acabou se confirmando, com os três separados por pouco mais de um ponto percentual nas urnas.
Em Sergipe, a lembrança mais forte está justamente em Aracaju. Ainda em agosto de 2024, quando a disputa pela Prefeitura tinha vários nomes competitivos, a Quaest já colocava Emília Corrêa na liderança. No segundo turno, o instituto a manteve à frente e, na pesquisa divulgada na véspera da votação, apontou 62% dos votos válidos para ela. Emília efetivamente venceu a eleição no dia seguinte, com 57,46%, percentual próximo ao apontado no levantamento, que, ao lado de outros institutos, como Gadu, Atlas e Paraná, esteve entre os que mais se aproximaram do resultado das urnas.
Esse histórico ajuda a explicar a apreensão que cercava a chegada da primeira fotografia estadual da Quaest em 2026. Até então, diferentes institutos vinham apresentando cenários distintos para o Governo e, principalmente, para o Senado. Diante disso, a Quaest era vista nos bastidores como uma espécie de teste importante para medir qual cenário encontraria respaldo em um instituto de alcance nacional.
E os números divulgados produziram uma fotografia clara para o Governo. Fábio Mitidieri (PSD) apareceu abrindo 12 pontos de vantagem sobre Valmir de Francisquinho (Republicanos), e com possibilidade de vitória já no primeiro turno, quando considerados apenas os votos válidos.
Para o Senado, Rogério Carvalho (PT) e André David (Republicanos) apareceram na liderança, ambos com 11%, ocupando justamente as duas posições que garantiriam as vagas caso o cenário fosse reproduzido nas urnas.
É aí que estão os principais impactos da Quaest sobre a eleição. Pesquisa não determina resultado e ainda há espaço para movimentações até a votação, mas um levantamento com a exposição e o histórico recente do instituto tem potencial para interferir e muito na mobilização das bases e até na percepção de aliados e lideranças políticas sobre quem está efetivamente competitivo. Quem apareceu bem ganha um argumento poderoso para reforçar o discurso de viabilidade; quem ficou abaixo das próprias expectativas passa a enfrentar maior pressão para reagir.
A Quaest ouviu 804 eleitores sergipanos entre os dias 23 e 26 de agosto, e o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número SE-03536/2026.

