Rodrigo Valadares (PL) chegou à disputa pelo Senado reunindo ativos importantes: mandato de deputado federal, comando estadual de um dos maiores partidos do país, identificação consolidada com Jair Bolsonaro e uma candidatura tratada como prioridade pela legenda em Sergipe. Durante parte da pré-campanha, essa combinação chegou a colocá-lo em posição de certo favoritismo para uma das duas vagas.
O cenário mudou. As pesquisas mais recentes passaram a mostrar uma disputa mais fragmentada e Rodrigo deixou de aparecer com a mesma vantagem que possuía anteriormente. Na mais recente sondagem, por exemplo, divulgada pelo renomado instituto Quaest (SE-03536/2026), apareceu em sexto lugar, com 7% das intenções de voto. Isso, porém, não significa que tenha perdido competitividade. Significa que sua eleição ficou mais complexa, e é justamente aqui que começa o verdadeiro Raio-X de sua candidatura.
A maior força de Rodrigo continua sendo aquilo que também pode estabelecer seu limite: o bolsonarismo. Poucos candidatos na disputa possuem uma identificação ideológica tão clara. Rodrigo construiu durante anos uma relação direta com esse eleitorado e chega a 2026 sem precisar explicar de que lado está.
Isso lhe garante identidade, militância e possibilidade de crescimento quando a disputa nacional entrar definitivamente no ambiente eleitoral sergipano. Mas existe um problema: o eleitorado de direita que poderia naturalmente concentrar votos em Rodrigo hoje encontra diversas alternativas.
André David, Eduardo Amorim, André Moura e até o Coronel Rocha, seu companheiro de partido, disputam parcelas desse mesmo campo político. Rodrigo, portanto, não enfrenta apenas adversários. Enfrenta concorrentes pelo mesmo eleitorado.
Seu desafio não será simplesmente convencer um eleitor de direita a votar na direita. Será convencer esse eleitor de que, entre várias candidaturas ideologicamente próximas, um dos seus dois votos para o Senado deve necessariamente ser dele. E aqui aparece uma característica decisiva dessa eleição.
Em Sergipe, o eleitor escolherá dois senadores. Isso significa que possuir um primeiro voto extremamente fiel é importante, mas pode não ser suficiente. Rodrigo precisa observar não apenas quantos eleitores o colocam como primeira opção, mas em quantos outros grupos consegue aparecer como segundo voto aceitável.
Essa talvez seja uma das principais fronteiras de crescimento de sua candidatura. Bolsonaro pode ajudar Rodrigo a consolidar o primeiro voto da direita. Mas, para alcançar uma das duas vagas, o deputado talvez precise construir também uma candidatura capaz de circular além do bolsonarismo mais orgânico.
Não significa abandonar sua identidade. Pelo contrário. Sua identidade é justamente uma de suas principais vantagens. O desafio está em fazer com que ela funcione como ponto de partida e não como ponto de chegada.
Existe ainda outro fator que impede qualquer análise precipitada sobre Rodrigo: o PL não trata sua candidatura como figurante. A ampliação da bancada do partido no Senado está entre as prioridades nacionais da legenda, e Sergipe faz parte desse projeto.
Isso significa estrutura partidária, possibilidade de presença de lideranças nacionais, recursos políticos e capacidade de intensificar a campanha justamente no período em que uma eleição majoritária costuma começar a se concentrar. A presença recente de nomes nacionais em seus atos é um indicativo dessa disposição.


