A oposição sergipana segue longe de qualquer clima de paz. E em meio a disputas por espaço e a velha guerra de vaidades que marca os bastidores, a queda de braço entre Rodrigo Valadares (UB), ancorado na direita independente, e Edivan Amorim (Podemos), alicerçado pelo poder que exerce sobre Valmir de Francisquinho (Podemos) e Emília Corrêa (Republicanos), passou a expor com mais nitidez uma disputa silenciosa, mas cada vez mais perceptível e que já vinha sendo abordada pela Realce desde o término das eleições no final de 2024, pelo comando da direita no estado.
Líder dos direitistas em cargos e poder, Amorim não quer perder o posto para o deputado federal e não tem economizado em movimentos para preservar sua influência no grupo. E, desde que Valadares rompeu o silêncio sobre os bastidores da mudança de comando do PL, o empresário tem novamente mirado sua artilharia contra o bolsonarista, inclusive, pressionando Emília para que não o apoie para o Senado, visando deixar espaços para Eduardo Amorim (Republicanos) e um possível indicado de Valmir.
Rodrigo, por outro lado, junto ao senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), tem buscado consolidar um novo eixo de comando no campo bolsonarista “real”, movimento que naturalmente tensiona a estrutura de poder construída por Edivan ao longo dos últimos anos.
Mas tirá-lo dessa posição, diga-se de passagem, não será uma missão nada fácil. Não é de hoje que Edivan é o grande articulador e controlador da direta sem que eles mesmo vejam, uma habilidade que merece ser reconhecida pela forma fantasmagórica que acontece. Em 2022, por exemplo, interlocutores do próprio grupo atribuem a ele o papel central na condução do projeto que tinha Francisquinho como candidato ao Governo, e em 2024 o mesmo se repetiu em Aracaju, com Emília. Inclusive, conforme denunciam vereadores da oposição, são os Amorim que comandam hoje maior parte das pastas da prefeitura, com controle em cerca de 70% das secretarias.


