Desde 2022, Valmir de Francisquinho (Republicanos) vem acumulando uma série de contradições que agora começam a pesar ainda mais sobre sua tentativa de chegar ao Governo do Estado. Mesmo depois de superar boa parte das incertezas jurídicas que cercaram sua candidatura, especialmente no caso do Matadouro, em que chegou a tentar um acordo e que deixou a impressão de admissibilidade de culpa, o ex-prefeito de Itabaiana ainda não conseguiu demonstrar força suficiente para ameaçar de forma consistente o projeto de reeleição do governador Fábio Mitidieri (PSD), que aparece na liderança na maior parte dos levantamentos recentes e, em alguns deles, com grande possibilidade de vitória já no primeiro turno.
O problema é que Valmir chega a 2026 bem diferente daquele candidato que construiu sua campanha quatro anos atrás, apesar das similaridades no seu cansativo discurso. Boa parte dele, inclusive, foi sustentada na condição de perseguido, de enfrentamento ao chamado “sistema” e até nas acusações contra Belivaldo Chagas, apontado por ele como um dos algozes de sua prisão. Hoje, no entanto, Valmir não apenas se aliou ao ex-governador como escolheu sua filha, Priscila Felizola, para ocupar a vice de sua chapa. A contradição chegou a provocar resistência dentro do próprio agrupamento antes da formalização da aliança e tem se refletido em sua campanha, que, mesmo com ele, tenta passar a mensagem de mudança.
Não foi a única. O mesmo Valmir que durante anos tentou vender a imagem de perseguido, nesta eleição, acumula uma série de ações judiciais contra jornalistas, radialistas e outros críticos, já sendo considerado recordista neste sentido nos bastidores.
Aos poucos, portanto, algumas das principais narrativas que ajudaram a construir sua imagem política, ancorada no discurso sensacionalista populista, foram perdendo força diante das próprias escolhas feitas pelo republicano ao longo do caminho.
E talvez esteja justamente aí uma das explicações para a dificuldade de Valmir em sua nova tentativa de chegar ao poder. Superar os problemas jurídicos poderia até retirar uma grande pedra do caminho, mas não apagaria as contradições políticas acumuladas desde então. Lembrando que as que foram citadas acima são apenas algumas das muitas que ajudam a explicar porque ele acumula tanta rejeição.


